- EQI Research passou a recomendar compra de Bradesco (BBDC4) e venda de Santander (SANB11), dizendo que o Bradesco está mais bem posicionado para enfrentar juros altos e desaceleração do crédito.
- A casa destaca que o aperto monetário já afeta a economia real e a qualidade das operações de crédito, com sinais de deterioração em todos os bancos analisados.
- O Bradesco é visto em recuperação operacional gradual e as ações seguem atrativas em relação ao patrimônio e ao lucro, negociadas próximo de uma vez o valor patrimonial e cerca de 10 vezes o lucro anual.
- O Santander enfrenta maior pressão no curto prazo devido a mudanças internas na gestão, com transição de dois cargos estratégicos, incluindo o CEO e o diretor financeiro.
- A carteira de crédito do Santander cresceu 3,4% ano a ano e caiu frente ao trimestre anterior, com a instituição reduzindo exposição a clientes de menor renda para focar em segmentos mais resilientes, o que pode frear o crescimento no curto prazo.
A EQI Research passou a recomendar a compra das ações do Bradesco (BBDC4) e a venda dos papéis do Santander (SANB11). A casa aponta que o cenário de juros altos e desaceleração do crédito no Brasil coloca o Bradesco em posição melhor, diante do ambiente atual.
Segundo Nícolas Merola, analista da EQI, os balanços do setor já mostram efeitos do aperto monetário sobre a economia real e sobre a qualidade das operações de crédito. Em relatório divulgado na segunda (18), a deterioração aparece em diferentes níveis.
A visão da EQI é de recuperação operacional gradual para o Bradesco, com ações ainda negociadas a preços atrativos em relação ao patrimônio e aos lucros. O papel opera próximo de um giro de valor patrimonial e cerca de 10 vezes o lucro anual.
Santander em transição
O Santander figura como tese mais pressionada no curto prazo, devido a mudanças internas na gestão. No 1º trimestre de 2026 houve a saída do CEO Mauro Leão e a entrada do novo diretor financeiro, Carlos Muñiz González-Blanch.
A instituição realiza ajuste para reduzir a exposição ao crédito de menor renda, mirando segmentos mais resilientes. A EQI aponta que a transição ainda está lenta e impacta o crescimento da carteira.
A carteira total de crédito do Santander cresceu 3,4% ante o ano anterior e recuou face ao trimestre anterior, com a carteira de pessoa física em queda. O analista comenta que a estratégia faz sentido, mas a velocidade de implementação preocupa.
Merola ressalta que, mesmo com o foco no longo prazo, o ritmo atual pode sacrificar resultados no curto prazo. A avaliação é de que o Bradesco continua mais alinhado ao cenário, mantendo espaço para valorização.
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