- A Riachuelo pode demitir funcionários caso o governo mantenha livre a cobrança da taxa das blusinhas; o CEO André Farber afirma que não há milagre para evitar cortes.
- A taxa de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi revogada por medida provisória, sob argumento de democratizar o consumo; o setor vê assimetria tributária e crescentes custos para o varejo nacional.
- Farber diz que, se o fim da taxa for mantido, a empresa pode recorrer ao cross-border, montando uma estrutura no exterior para trazer produtos com menor carga tributária.
- A Riachuelo tem cerca de 450 lojas, aproximadamente 33 mil trabalhadores; no primeiro trimestre, a receita líquida ficou em R$ 2,3 bilhões, alta de 6,7% em relação ao mesmo período, e as ações caíram cerca de 11% no acumulado de 2026; a empresa vale cerca de R$ 4,2 bilhões.
- Segundo o executivo, não houve consultoria pública sobre a revogação; a empresa busca diálogo com o governo e com entidades, mas afirma que, se a regra seguir, poderá desmobilizar operações no Brasil.
A Riachuelo admite a possibilidade de demitir trabalhadores se o governo mantiver a revogação da chamada taxa das blusinhas, a alíquota de 20% sobre compras internacionais até US$ 50. A empresa afirma que a decisão criada uma assimetria tributária insustentável, prejudicando a competitividade do varejo nacional.
A companhia, que atua com cerca de 450 lojas e emprega ~33 mil pessoas, vê impacto direto na operação. No primeiro trimestre, a receita líquida ficou em R$ 2,3 bilhões, alta de 6,7% frente ao mesmo período do ano anterior. O cenário envolve o fim da cobrança, assinado recentemente pelo presidente, após pressão do setor.
A entrevista exclusiva ao NeoFeed mostra que o executivo teme que a mudança aumenta a disparidade entre varejo nacional e plataformas internacionais, especialmente as asiáticas. Em caso de continuidade da decisão, a Riachuelo diz que poderá iniciar demissões e reestruturar operações.
Desdobramentos e alternativas
Farber aponta que a empresa pode adotar o formato cross-border, esperado por analistas como alternativa competitiva. A estratégia envolveria abrir uma operação no exterior para enviar pequenos pacotes ao Brasil com carga tributária menor, reduzindo custos, mas com risco de desmobilizar operações no Brasil.
O CEO critica a justificativa de democratizar o consumo, ressaltando a necessidade de equilíbrio tributário. Ele afirma que, se a ideia é ampliar o acesso, o governo deveria reduzir impostos de forma abrangente, não beneficiar apenas parte do mercado.
Contexto setorial
O fim da taxa provocou queda nos papéis de varejistas na B3 no dia seguinte. Relatórios apontam que a medida pode ampliar a diferença de preços entre varejo nacional e sites estrangeiros. A Riachuelo registra queda de 11% no valor de mercado em 2026, chegando a R$ 4,2 bilhões.
Farber reforça que a decisão é tomada sem diálogo, e que a empresa, apesar de manter o compromisso com o Brasil, pode precisar se adaptar para sobreviver caso o cenário tributário permaneça. A direção afirma estar aberta ao diálogo com o governo e entidades setoriais.
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