- Lucro líquido do 1º trimestre de 2026 foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 18,2% frente ao mesmo período do ano anterior; o Ebitda ficou estável, em torno de R$ 3,8 bilhões.
- Dois efeitos pontuais ajudaram o resultado: reconhecimento de créditos tributários de uma ação e captação de R$ 4,4 bilhões com custo abaixo da média de mercado.
- Energia faturada aos consumidores cativos caiu 7,8%, principalmente por temperaturas mais baixas; ainda assim o Ebitda permaneceu estável.
- CPFL renovou as concessões por mais 30 anos; investimentos previstos de R$ 23,6 bilhões nos próximos cinco anos; a dívida chegou a pouco mais de R$ 30 bilhões, com alavancagem de 2,3 vezes.
- Geração eólica caiu 12,3% no trimestre; o país avança com a geração distribuída (agora em 50 gigawatts) e há crescimento de 24% na demanda de data centers no interior de São Paulo, sujeito a limitações de rede.
A CPFL Energia divulgou lucro líquido de 1,9 bilhão de reais no primeiro trimestre de 2026, alta de 18,2% frente ao mesmo período de 2025. O desempenho foi puxado pela distribuição e geração de energia, enquanto o Ebitda ficou estável em cerca de 3,8 bilhões de reais entre janeiro e março. Dois efeitos pontuais contribuíram para o resultado.
Segundo o CEO Gustavo Estrella, parte do ganho veio do reconhecimento de créditos tributários relacionados a uma ação específica, além de uma captação de 4,4 bilhões de reais a custo abaixo da média de mercado. A soma dessas operações elevou o resultado, ainda que sejam itens não recorrentes.
A CPFL registrou queda de 7,8% na energia faturada para consumidores cativos, explicado pela queda de temperaturas neste primeiro trimestre. Apesar da redução, o Ebitda manteve o patamar anterior, sem impacto relevante na margem operacional.
A demanda na área de concessão subiu 4,5%, fenômeno atribuído à contratação antecipada de demanda por parte de clientes que preveem maior consumo. A migração de clientes do mercado cativo para o mercado livre segue em curso desde o ano passado, começando com clientes do grupo A de alta tensão.
Abertura total do mercado está prevista entre o fim de 2027 e o início de 2028, quando clientes de baixa tensão também poderão migrar. O ritmo de mudanças depende de regulamentação adicional e da evolução do processo de transição para o livre mercado.
Sobre as concessões, Estrella destacou a renovação por mais 30 anos, realizada recentemente, que amplia a previsibilidade de longo prazo. Junto disso, a CPFL integra o grupo de empresas que anunciou investimentos de 130 bilhões de reais nos próximos cinco anos, sendo 23,6 bilhões direcionados ao grupo CPFL.
Em relação ao endividamento, a CPFL reportou dívida de pouco mais de 30 bilhões de reais, alta de 15,4% ante o ano anterior, com alavancagem de 2,3 vezes. O executivo argumenta que o aumento acompanha o crescimento dos investimentos, que quase dobraram nos últimos anos.
Na geração, a energia eólica apresentou queda de 12,3% no trimestre, com ventos fracos e curtailment, prática de desvio de energia não vendida. A aprovação da Lei 15.269 é mencionada como avanço, embora ainda pendente de regulamentação definitiva.
A geração distribuída cresce e já chega a 50 gigawatts de capacidade instalada, o que aumenta a intermitência do sistema e eleva os desafios de curtailment. No segmento de data centers, há demanda crescente nas áreas de concessão, com destaque para o interior de São Paulo, registrando cerca de 24% de expansão frente ao ano anterior.
As restrições de rede de distribuição e de transmissão limitam a capacidade de atendimento, ainda que a demanda por data centers seja maior do que a atual capacidade. Data centers respondem por cerca de 8% da classe comercial e 1,3% a 1,4% do consumo total da CPFL, com potencial de crescimento significativo.
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