- Nos últimos três anos, fundos multimercados de gestoras renomadas perderam protagonismo; apenas o Verde entregou retorno superior ao CDI, equivalente a 133% do índice na janela analisada.
- No ranking entre 358 multimercados abertos para captação, o Verde aparece na posição 38; outros exemplos vão desde Kapitalo Zeva (119) até SPX (318) e Legacy (346).
- Em relação ao CDI, Kapitalo Zeva ficou em 103% do CDI; Absolute Vertex II rendeu 95%; JGP Hedge, 92%; Adam Macro II, 92%; enquanto Legacy Absoluto rendeu 32% e SPX Nimitz, 55%.
- Motivos apontados incluem maior concorrência de fundos de crédito e produtos passivos, além de juros altos e maior volatilidade macro, que reduziram a atratividade dos multimercados.
- A Bahia Asset sustenta que há espaço para atuação integrada entre fundos indexados, que buscam seguir o CDI, e ativos com gestão ativa para quem aceita mais risco, mantendo foco no longo prazo.
Entre as maiores gestoras da classe, fundos multimercados enfrentam perda de protagonismo nos últimos três anos. Apenas o Verde, liderado por Luis Stuhlberger, superou o CDI com folga no período. O ranking considera 358 multimercados abertos para captação; o Verde ficou em 38ª posição.
No recorte até 22 de abril deste ano, fundos de commodities, bolsas americanas e ações foram os mais destacados, beneficiados pela alta do mercado no ano anterior. Procuradas, quase todas as gestoras citadas não comentaram. A Bahia Asset foi a única a se manifestar.
No que diz respeito à composição dos portfólios, há variedade: Legacy, Kapitalo, JGP, Gávea, Vista, Bahia, SPX, Ibiúna, Absolute e Adam Capital aparecem em posições diversas. O Kapitalo Zeva, por exemplo, fica em 119º lugar, o Absolute Vertex em 171º, e o JGP Hedge e o Adam Macro II em 188ª e 189ª posições, respectivamente.
Quanto ao rendimento em relação ao CDI, o Kapitalo Zeva figurar entre os melhores, com 103% do CDI no período. O Absolute Vertex II rendeu 95% do CDI; o JGP Hedge entregou 92%; o Adam Macro II, também 92%. Na parte inferior, Legacy Capital Absoluto rendeu 32%, Gávea Macro II 51% e SPX Nimitz 55%.
Entre as razões para o desempenho abaixo do esperado, analistas apontam mudanças macroeconômicas e competição com fundos de crédito. Os fundos de crédito, com incentivos fiscais, ganharam atratividade em um cenário de juros altos, reduzindo o espaço para multimercados. A entrada de fundos passivos passou a ser mais relevante para muitos investidores.
A Bahia Asset, por sua vez, mantém a visão de que há espaço para diferentes abordagens. Em relação aos multimercados, a gestora sustenta que quem busca resultados mais indexados pode optar por fundos passivos, enquanto quem aceita maior risco pode preferir gestão ativa, com foco no longo prazo.
A avaliação de gestores aponta ainda que o cenário atual não favorece o apelo histórico de gestores macro, que tradicionalmente eram vistos como capazes de decifrar o cenário macro. Conflitos geopolíticos recentes e tensões prolongadas entre grandes potências contribuíram para volatilidade e menor previsibilidade de retornos.
A ascensão de fundos de crédito privado, com isenção de IR para alguns produtos de infraestrutura, tem intensificado a competição com multimercados. Especialistas destacam que a atratividade de tributos e a menor necessidade de liquidez em alguns produtos criaram alternativas aos multimercados, especialmente em juros altos.
Sobre o futuro, o mercado pode exigir maior especialização. Investidores podem buscar produtos mais nichados para enfrentar cenários turbulentos. Entre os gestores citados, apenas dois fundos criados há pelo menos 10 anos ficaram abaixo do CDI desde a criação: Adam Macro II (83% do CDI) e Legacy Capital Absoluto (61%). Os demais mostraram rendimento entre 105% e 211% do CDI, apontando para a necessidade de objetivos de longo prazo.
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