- A CreateMe, empresa da Califórnia, desenvolveu robôs que colam peças de tecido e não costuram; já produzem lingerie e vão começar a fabricar camisetas em breve, com produção em massa possivelmente no próximo ano.
- Robôs de costura ainda são discutidos por outras empresas, como a Softwear Automation, que afirma que sua terceira geração de robôs de costura poderá fabricar camisetas no mesmo custo de importação para os EUA.
- A ideia de reindustrializar a produção têxtil em países ocidentais surge junto com o debate sobre empregos na indústria e a possibilidade de rotas locais para atender a demanda, com clientes buscando itens “made in US” usando algodão americano.
- Muitos defendem que automação pode reduzir o impacto ambiental da moda, ao cortar desperdício e emissões, especialmente se a produção for sob demanda e reaproveitada localmente.
- Estudos e empresas reconhecem desafios: parte da cadeia — como tingimento e fiação — é difícil de re-shorar, o que sugere que a coexistência entre robôs e trabalhadores humanos é a tendência prevista para o curto prazo.
O grupo de robótica CreateMe, sediado na Califórnia, desenvolveu robôs que unem tecidos por adesivo em vez de costura. A empresa já fabrica lingerie feminina e planeja fabricar camisetas nos próximos meses, com produção em larga escala prevista para o ano seguinte. A tecnologia usa adesivo termossustentável para fixar as peças, que não precisam de costuras.
Os robôs aplicam o adesivo, alinham as peças e selam por pressão. Segundo Cam Myers, CEO da CreateMe, o método facilita a produção de peças com moldes que acompanham as curvas do corpo, além de permitir uso de algodão, lã e couro. A promessa é reduzir o custo da camiseta se 10% da produção voltasse aos EUA com automação.
Entretanto, especialistas ressaltam que a costura continua relevante. Palaniswamy Rajan, da Softwear Automation, afirma que o ponto visível é essencial em muitos designs, incluindo jeans. A empresa deve revelar em breve a terceira geração de robôs de costura, que, segundo ele, poderá competir com a importação de camisetas nos EUA, sem detalhar a tecnologia.
Há debates sobre qual é o papel humano na cadeia têxtil. Fontes ouvidas pela BBC indicam que várias empresas não divulgam como operam seus sistemas, citando competição no setor. Trabalhadores enfrentam impactos desde fechamentos de fábricas durante a pandemia de Covid-19 até interrupções provocadas por conflitos que afetam o fornecimento de insumos.
Impacto ambiental e reindustrialização são pontos centrais no debate. Estimativas apontam que 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são geradas anualmente, com grande parte de peças não vendidas incendiadas. A automação poderia reduzir emissões se parte da produção for reestocada de forma sob demanda, segundo estudos.
Estudos austríacos sugerem redução de emissões ao produzir camisetas na Europa ou nos EUA. Uma pesquisa liderada por Gerald Feichtinger avaliou cenários de fabricação sob demanda com robôs, encontrando queda significativa nas emissões de gases de efeito estufa ao re-shorar a produção. Conserva-se, porém, a necessidade de reavaliar outras etapas da cadeia.
Fabricantes como Robotextile criam dispositivos para manusear tecidos, com ventos controlados para erguer as fibras antes da fixação. Especialistas indicam que o mercado europeu tende a atender nichos específicos, como têxteis de alto desempenho, com até uma década para ações mais robustas de re-shoring. A visão da indústria varia entre cautela e otimismo.
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