- Inadimplência da carteira da Agrolend ficou em 0,68% acima de 90 dias, bem abaixo da média de 12% do mercado, segundo o Banco Central.
- A empresa migrou o foco de pequenos produtores para indústrias, cooperativas e grandes distribuidores, reduzindo o risco e elevando o tíquete médio.
- Em 2025, a carteira de crédito ficou em R$ 968 milhões; a empresa projeta chegar a R$ 2 bilhões em 2026, com lucro líquido estimado em cerca de R$ 70 milhões.
- O tíquete médio por operação subiu de cerca de R$ 400 mil–R$ 500 mil para aproximadamente R$ 5 milhões; clientes apresentam crescimento entre 30% e 40% ao ano.
- A Agrolend encerrou 2025 com caixa de R$ 591 milhões e captação total de R$ 1,025 bilhão; houve disputa societária com ex-sócia, já encerrada, com a empresa mantendo operação estável.
A fintech Agrolend fecha 2025 com uma carteira de crédito de quase R$ 1 bilhão e projeta dobrar esse volume em 2026, chegando a R$ 2 bilhões. A empresa mantém inadimplência abaixo da média do setor e registrou lucro líquido ajustado de R$ 32 milhões. O foco atual é atender indústrias, cooperativas e grandes distribuidores, deixando de lado o pequeno produtor.
Fundada em 2020, a Agrolend evoluiu de financiamentos a insumos até estruturar uma cadeia de garantias mais robusta, com fornecedores, revendas e produtores. A mudança de foco, segundo executivos, foi determinante para reduzir o risco de crédito. O modelo busca maior escala com menos dependência de safras isoladas.
A alta demanda por crédito no agro contrasta com a retração de grandes financiadores, o que favorece a fintech. A empresa encerrou 2025 com caixa de R$ 591 milhões, captações de R$ 1,025 bilhão e uma carteira com prazo médio de 120 dias. A meta para 2026 é ampliar a carteira para R$ 2 bilhões e gerar cerca de R$ 70 milhões em lucro.
Mudança de foco e qualidade da carteira
Agora, a Agrolend prioriza empresas de maior porte, com operações diversificadas, o que tem permitido reduzir a inadimplência para 0,68% acima de 90 dias, bem abaixo da média de 12% do mercado, segundo o BC.
Segundo André Glezer, a leitura do setor aponta uma dicotomia entre produção elevada e dificuldades financeiras em camadas menores da cadeia. O objetivo é trabalhar com clientes mais eficientes e menos expostos a riscos de safras únicas.
Estrutura financeira e projeções
A empresa destaca que a carteira tem prazo médio de 120 dias, enquanto os passivos são, em média, 340 dias. Essa folga de liquidez sustenta a escalabilidade do negócio e a cobertura de provisões equivalente a 386% da inadimplência.
Além disso, a Agrolend ressalta que o crescimento depende de manter o mesmo nível de capital e controles, mesmo com expansão da carteira. Os executivos enfatizam que a atuação com cooperativas e o crédito público ajudam a atender produtores por meio de canais subsidiados.
Situação societária
A disputa societária envolvendo a ex-sócia Valéria foi encerrada há cerca de um ano, segundo a empresa. A gestão afirma que houve aprovação do conselho e dos investidores, e que não existem litígios em andamento.
Os fundadores, com formação em engenharia e experiência no mercado financeiro, destacam que o modelo de banco especializado no agro surgiu ao identificar lacunas de crédito eficientes no setor.
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