- A bancada do agronegócio negocia com o governo uma linha de crédito para renegociar cerca de R$ 180 bilhões em dívidas de produtores rurais.
- Fontes de recursos discutidas incluem sobras do Plano Safra, recursos do Fundo Social do pré-sal, superávits de outros fundos administrados pela Fazenda e operações apoiadas pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).
- A senadora Tereza Cristina defende que o governo coloque R$ 20 bilhões no FGI para lastrear as renegociações, o que, segundo ela, poderia alavancar o volume de crédito entre sete e dez vezes.
- O relator Renan Calheiros apresentou um relatório com várias fontes de financiamento e houve reuniões com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e técnicos do Ministério, visando fechar o pacote ainda nesta semana antes do lançamento do novo Plano Safra, em junho.
- O governo indicou a possibilidade de usar R$ 82 bilhões do atual Plano Safra; o setor sustenta que muitos produtores não teriam condições de acessar esse valor, pois boa parte das dívidas está fora do sistema bancário.
O agronegócio negocia com o governo uma linha de crédito destinada a renegociar até 180 bilhões de reais de dívidas de produtores rurais. A proposta envolve uso de sobras do Plano Safra, recursos do Fundo Social do pré-sal, superávits de fundos administrados pela Fazenda e operações apoiadas pelo FGI. O objetivo é viabilizar alongamento e condições mais favoráveis de pagamento.
A articulação ficou a cargo da liderança do setor no Senado, com participação de Renan Calheiros e da senadora Tereza Cristina. Eles mantiveram encontros recentes com o ministro da Fazenda e técnicos da pasta para fechar o pacote. A expectativa é que o acordo seja apresentado ainda nesta semana.
A ideia envolve utilizar o FGI como lastro, com participação adicional do governo no fundo. A senadora sugere que um aporte de 20 bilhões de reais do governo poderia alavancar de sete a dez vezes esse volume em operações privadas, segundo cálculos apresentadas pela parlamentar.
Detalhes da proposta
Os recursos visados incluiriam R$ 82 bilhões já previstos no atual ciclo do Plano Safra, além de créditos estressados existentes na carteira de empréstimos estimada em cerca de 170 bilhões de reais. O conjunto de ações pretende atingir dívidas vencidas ou próximas do vencimento.
Desdobramentos e possibilidades
Segundo Tereza Cristina, metade dos produtores inadimplentes ficariam de fora se apenas os 82 bilhões forem usados sem ampliar o lastro. Ela aponta que dois terços das dívidas não estão no sistema bancário, envolvendo revendas e fundos. A viabilidade depende de sinalizações do governo sobre ampliar a participação no FGI.
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