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Aperto de crédito trava emissões de dívidas e acelera resgates de fundos

Aperto de crédito encurta a janela de emissões; resgates em fundos de crédito somam mais de R$ 24 bilhões e 11 de 19 ofertas de abril não chegaram ao mercado

Aperto do crédito trava janela de emissões de dívidas corporativas e acelera resgate de fundos
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  • Resgates em fundos de crédito atingiram mais de R$ 24 bilhões, reduzindo demanda por novas emissões e pressionando preços no mercado secundário.
  • Das 19 ofertas de debêntures previstas para abril, oito foram adiadas e três canceladas; nenhuma foi distribuída integralmente a investidores.
  • Entre os cancelamentos, destaque para a Zamp (R$ 500 milhões, com opção de até R$ 100 milhões) e para a SBF (R$ 600 milhões, que depois lançou nova emissão de R$ 500 milhões).
  • Em abril, saídas líquidas de fundos de renda fixa totalizaram R$ 18,1 bilhões, com os fundos de crédito livre acumulando resgates que chegaram a R$ 24,3 bilhões no mês.
  • Sinais de estabilização aparecem: spreads de debêntures incentivadas apontam leve recuo recente, enquanto captações de renda fixa avançam; a Sparta recomenda seletividade e liquidez diante do cenário.

O mercado de dívida corporativa passou por retração, com cancelamentos, adiamentos e reestruturações de emissões. A piora na janela de captação afastou investidores e elevou o custo de novas ofertas, segundo a Sparta Investimentos.

Dados apontam que, de 19 debêntures previstas para abril, oito foram postergadas e três canceladas. Entre as demais, quatro ficaram integralmente encarteiradas e quatro tiveram distribuição parcial; nenhuma foi totalmente distribuída.

Entre os cancelamentos, destaca-se a 12ª emissão da Zamp, de R$ 500 milhões, com possível lote adicional de até R$ 100 milhões. A operação, com rating AA(bra) pela Fitch, foi retirada de estudo. Em seguida, houve nova estruturação envolvendo a companhia.

Dias depois, a dona do Burger King e Popeyes retomou o mercado com notas comerciais de R$ 500 milhões, coordenadas pelo Bradesco BBI e, posteriormente, encarteiradas pelo banco. A SBF, proprietária da Centauro, cancelou oferta de R$ 600 milhões e lançou outra de igual valor, absorvida por instituições financeiras.

Outras operações canceladas incluem a 1ª emissão da Rumo Malha Central e a 11ª da Ampla Energia. Em 2025, ao longo de todo o ano, apenas uma oferta havia sido revogada, sugerindo mudança brusca de ambiente de captação.

Para Fitch, a troca de instrumento no caso da Zamp reflete mais a deterioração da janela do que um problema de crédito específico. A agência aponta demanda possivelmente insuficiente para prazo ou custo desejado pela empresa, ou resistência de investidores a pagar aquele preço.

O movimento de cancelamentos está ligado à saída de recursos dos fundos de crédito, que reduziu a demanda por novas emissões e pressionou preços no mercado secundário. Resgates elevam o custo de captação e reduzem a atratividade de novas ofertas.

Levantamento com dados da CVM indica que, entre abril e meados de maio, fundos ficaram com apenas 10% dos papéis de debêntures encerradas, com volume total 18,3% menor que o registrado no mesmo período de 2024. A participação dos fundos era de 37% em 2025.

Segundo a Anbima, abril registrou saída líquida de R$ 18,1 bilhões na indústria de fundos, com a renda fixa respondendo sozinha por R$ 19,3 bilhões. Entre os instrumentos, os fundos de duração livre tiveram saída de R$ 14,2 bilhões, maior impacto entre as categorias.

O CEO da Sparta Investimentos, Ulisses Nehme, aponta um ciclo vicioso: mais resgates reduzem demanda, elevam spreads, derrubam preços e provocam novos resgates. O cenário gera maior cautela entre emissores e investidores.

Apesar dos sinais de volatilidade, há indicativos de estabilização. Spreads de debêntures incentivadas recuaram levemente em uma semana, e o mercado de captações mostra entrada líquida em fundos de renda fixa nos primeiros dias de maio. Ainda assim, fundos incentivados seguem com saídas significativas.

Diante do cenário, a Sparta mantém estratégia de seletividade e liquidez. A instituição avalia que não há ponto de entrada claro nas debêntures incentivadas hedgeadas enquanto o mercado não estabilizar e os resgates persistirem.

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