- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a economia ainda aquecida, o baixo desemprego e preços elevados por choques de oferta justificam juros altos.
- Foi citado o quarto choque de oferta desde 2022, com alta do petróleo após conflitos, contribuindo para a inflação.
- Galípolo ressaltou o desafio de separar o aumento de preços causado pelo choque de oferta de efeitos de segunda ordem.
- O Copom reduziu a Selic de 14,75% ao ano para 14,5% ao ano no último encontro, mas não sinalizou novos cortes, mantendo cautela diante do cenário externo.
- Em abril, o IPCA avançou 0,67%, levando a inflação em doze meses a 4,39%, próximo do teto da meta de 3%, influenciada por reajustes de combustíveis e pela necessidade de importação de petróleo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu hoje no Senado que a economia brasileira permanece resiliente, com baixo desemprego e inflação pressionada por choques de oferta, justificando a manutenção de juros elevados.
Durante audiência na CAE, ele afirmou que a combinação de atividade econômica aquecida, desemprego próximo de mínimas históricas e preços impulsionados por choques de oferta sustenta a política de juros elevada no Brasil.
Galípolo comentou ainda que a inflação tem passado por altas pontuais após choques externos, mantendo o cenário de juros altos como ferramenta para manter a inflação na meta. O tema econômico global, com o quarto choque de oferta em quatro anos, foi citado para contextualizar a política doméstica.
Contexto econômico e desdobramentos
Segundo o presidente, o Brasil tem enfrentado inflação acima do teto da meta de 3% há meses, o que reforça o papel da taxa Selic para ancoragem dos preços. Ele reconheceu que as taxas nacionais seguem mais elevadas que as de pares internacionais.
No último encontro do Copom, em 29 de abril, a Selic foi reduzida de 14,75% ao ano para 14,5% ao ano, mas o BC não sinalizou novos cortes. O BC informou que próximos passos dependerão dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira.
Fatores externos e impacto na inflação
A valorização do petróleo no exterior tem peso relevante, já que o Brasil importa cerca de 30% do petróleo consumido. Refinarias dependem de petróleo importado para complementar a produção nacional. Além disso, cerca de 20% da demanda interna de diesel é suprida por produto importado.
A inflação de abril atingiu a maior variação para o mês em quatro anos, com IPCA de 0,67% e elevação de 12 meses para 4,39%. O indicador ficou próximo do teto de tolerância da meta, que é 3% com margem de 1,5 ponto percentual.
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