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BC mantém juros superiores aos pares, com inflação acima da meta

Galípolo afirma que o Brasil mantém juros mais elevados que pares, mas inflação continua acima da meta; núcleos convergem para o ritmo da inflação

Brasília (DF), 27/03/2025 - O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo participa da apresentação do Relatório de Política Monetária, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
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  • Galípolo afirmou que o Brasil mantém juros sistematicamente mais altos que os pares, mas a inflação frequentemente supera a meta.
  • Entre 2020 e 2025, o BC não cumpriu a meta em quatro anos, sendo que apenas 2020 e 2023 tiveram carta aberta.
  • O Banco Central avalia núcleos de inflação, e a média atual desses núcleos está no mesmo nível da inflação total.
  • O misery index está no menor valor já registrado na série brasileira, mas choques de oferta passaram a reduzir a correlação com o bem-estar.
  • Sobre renda e crédito, ele disse que, após choques de oferta, houve maior endividamento, com aumento de cartões de crédito, fenômeno ligado à bancarização e ao Pix, e preocupação com a affordability.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que o Brasil sustenta taxas de juros mais altas que as de seus pares, mesmo com a inflação geralmente acima da meta. O pronunciamento ocorreu durante a apresentação de dados de política monetária, em Brasília.

Ele destacou que, desde 2020, apenas em 2020 e 2023 houve carta aberta ao Ministério da Fazenda por não cumprimento da meta. Segundo Galípolo, nesses seis anos, houve falha no cumprimento da meta em quatro deles, evidenciando desafios da política monetária.

O presidente citou a análise dos núcleos de inflação, que hoje estaria em torno da inflação oficial. Também mencionou que o chamado misery index, combinação de desemprego e inflação, encontra-se no menor nível histórico, mas choques de oferta recentes afetaram o bem-estar.

Desafios de oferta e percepção de preços

Galípolo afirmou que os quatro grandes choques de oferta — pandemia, guerra da Ucrânia, tarifas e, recentemente, conflitos no Oriente Médio — elevaram o nível geral de preços. Ele ressaltou a dificuldade de conter uma inflação que, segundo ele, impacta salários e o custo de vida.

O dirigente explicou que a inflação elevada não é apenas uma questão macroeconômica; o público nota a alta de itens como carne, leite e ovos, o que influencia a percepção de custo de vida. Ele citou a discussão internacional sobre affordability como um desafio para bancos centrais.

Na leitura dele, após choques de oferta, o crédito tende a sustentar o consumo, especialmente via cartão de crédito. Galípolo comentou que estudos internacionais indicam aumento no uso de cartões, tendência que se observa no Brasil por meio de bancarização e do Pix.

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