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Choque de oferta impacta expectativas de inflação para 2028, diz Galípolo

Choque de oferta impactou as expectativas de inflação para 2028, mas a desancoragem não é simples de explicar; BC busca separar efeitos de oferta

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central — Foto: Raphael Ribeiro/BC
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o choque de oferta impactou significativamente as expectativas de inflação para 2028, mas a desancoragem dessas projeções não é simples de explicar.
  • Para esse horizonte, os efeitos dos choques já deveriam ter desaparecido, e medidas que estimulam a atividade agora não deveriam impactar tanto a inflação de 2028.
  • O desafio do BC é separar elevação de preços causada por choques de oferta dos chamados efeitos de segunda ordem, em um cenário de mercado de trabalho aquecido.
  • A economia global estaria atravessando o quarto choque de oferta consecutivo com impacto sobre preços, enquanto a relação entre inflação e renda gera percepções dissociadas.
  • Galípolo mencionou que, historicamente, a taxa de juros brasileira fica em patamar mais elevado que países pares, e que nos últimos seis anos houve quedas da inflação em apenas dois períodos, sugerindo possibilidade de o BC ter sido pouco conservador; também afirmou que núcleos de inflação, ao excluir itens mais voláteis, não alteram significativamente a leitura atual.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em audiência na CAE do Senado que o choque de oferta impactou significativamente as expectativas de inflação para 2028, mas não explicou de forma simples por que a desancoragem se alonga.

Segundo ele, os efeitos dos choques já deveriam ter se dissipado nesse horizonte, e medidas que estimulam a atividade agora não deveriam gerar impactos tão expressivos sobre a inflação em 2028.

A apresentação ocorreu nesta terça-feira (19). Galípolo destacou a dificuldade de separar elevações de preços provocadas por choques de oferta dos efeitos de segunda ordem, em meio a um mercado de trabalho aquecido e renda em crescimento.

Desafios de leitura dos núcleos e juros

O presidente informou que o cenário global vive o quarto choque de oferta consecutivo com efeito sobre preços, gerando dissonância entre preços e renda. Ele ressaltou que a taxa de juros brasileira permanece mais elevada que a de pares.

Ele apontou que, nos últimos seis anos, em quatro não houve conformidade com a meta de inflação, incluindo a banda superior, sugerindo percepção de que o BC talvez tenha sido pouco conservador.

Galípolo observou ainda que a inclusão ou exclusão de itens voláteis nos núcleos de inflação não mudaria significativamente a leitura atual, pois a média dos núcleos excluindo itens mais voláteis está próxima da inflação oficial.

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