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Energia no campo: competitividade atual versus custos no futuro

Transição energética do agronegócio brasileiro avança de forma pragmática, guiada por custo, confiabilidade e pressões de mercados globais

Anderson Teixeira – Foto: Arquivo pessoal
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  • A Agrishow evidencia um contraste entre tecnologias de energia renovável expostas na feira e a matriz energética efetiva do campo, ainda fortemente dependente de diesel, GLP e energia da rede.
  • Globalmente, a participação de renováveis no setor agrícola cresceu, mas o ritmo é lento em comparação a outros setores, devido a ciclos de vida de máquinas, infraestrutura rural e custo de investimento.
  • No Brasil, a competição por margem exige controle de custos; a adoção de renováveis fica mais viável quando traz ganho operacional, redução de risco e melhor acesso a crédito, especialmente em operações de grande escala.
  • O portfólio de transição envolve várias rotas: biogás, biometano, etanol, geração solar distribuída e soluções para melhorar a eficiência do diesel, sem substituir abruptamente toda a frota.
  • Tendências regulatórias internacionais, como o desmatamento na UE e o mecanismo CBAM, podem, no futuro, exigir rastreabilidade de emissões na cadeia agroalimentar, pressionando a adoção de renováveis e a descarbonização para manter acesso a mercados externos.

A agrishow de 2026 revelou o paradoxo do setor: tecnologia de energia limpa convive com diesel, gás e eletricidade da rede. Tratores movidos a etanol, aeronaves agrícolas 100% biodinâmicas e geração distribuída convivem com a prática cotidiana no campo, que ainda depende de combustíveis convencionais.

Especialistas analisam a relação entre custos, competitividade e inovação. O agro brasileiro, atuando como exportador de commodities, busca reduzir custos para manter margens diante de mercados globais. A energia barata pode ampliar a competitividade, mas exige investimentos que nem sempre são viáveis no curto prazo.

A visão internacional mostra que renováveis cresceram no setor agrícola global, mas de forma desigual. Dados da Irena e da FAO indicam incremento de 10,8% para 15,4% na participação de renováveis entre 2011 e 2021, ainda abaixo de outros setores. A adoção depende de ciclo de vida de máquinas, infraestrutura rural e custo total de operação.

No campo, a substituição de fontes energéticas não é apenas técnica, mas estratégica. Em operações de grande escala, soluções de eficiência no uso do diesel ganham espaço, com remapeamento de motores, manutenção especializada e uso de peças usadas. Tecnologias drop-in costumam ter maior aceitação por não alterar a operação.

A reportagem aponta que o Agro 2026 vê a energia como portfólio. Biogás, biometano, etanol e geração solar distribuída aparecem como opções, dependendo da cadeia produtiva. Em algumas atividades, o diesel permanece relevante devido à confiabilidade e ao custo-benefício.

Além de consumo, o setor pode virar produtor de energia. A usina de cana, a pecuária e outras cadeias podem gerar biomassa, energia solar e créditos de carbono. Rastreabilidade, telemetria e métricas de carbono passam a ser ativos comerciais, influenciando contratos e acesso a mercados.

A reportagem aponta que a transição será pragmática: avançará onde houver ganho operacional e financiamento, com foco na continuidade operacional. A energia limpa precisa entregar não apenas menor emissão, mas previsibilidade econômica e valor de mercado.

Mercado e política caminham juntos. Regulamentação externa, como o EUDR da União Europeia, exige comprovação de evitar desmatamento. O CBAM, em fase avançada, amplia o escrutínio sobre emissões na cadeia produtiva. A ideia é que a rastreabilidade alcance a produção primária.

Portanto, a pergunta que fica é quando o agronegócio brasileiro se prepara para exigir renováveis como critério de custo e de acesso a mercados, não apenas como vantagem competitiva. O desafio é alinhar pesquisa, política e setor para evitar surpresas futuras.

Fontes: especialistas citados na cobertura da Agrishow, dados da Irena e da FAO, e análises sobre CBAM e EUDR.

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