- Famílias Cola venceu por unanimidade disputa arbitral contra SSG Incorporação e Assessoria e CSV Incorporação e Assessoria Empresarial (ligada a Camila Valdívia), encerrada pela CAM-CCBC em decisão de 450 páginas após seis anos.
- Com o resultado, a família Cola pretende executar cerca de R$ 400 milhões contra Sidnei Piva, com base em ativos e dívidas acordadas na recuperação judicial.
- Entre as acusações, a arbitragem aponta destinação de aproximadamente R$ 60 milhões à ITA Transportes Aéreos, criada por Piva, que encerrou atividades em dezembro de 2021.
- A ITA teve falência decretada pela Justiça de São Paulo em 2023; a arbitragem também cita contratos com empresa de tecnologia, compra de automóveis Mercedes blindados e salário de R$ 350 mil mensais ao próprio Piva durante a recuperação.
- A Caiçara, não incluída na recuperação, teve ativos transferidos para a RJ sob autorização do administrador judicial, segundo os documentos da arbitragem.
A família Cola, antiga controladora do Grupo Itapemirim, venceu por unanimidade uma disputa arbitral contra SSG Incorporação e Assessoria e CSV Incorporação e Assessoria Empresarial. A decisão ocorreu após seis anos de tramitação no CAM-CCBC, a Câmara de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, e tem desfecho em um processo de 450 páginas.
Segundo o resultado, a família Cola pretende executar cerca de 400 milhões de reais contra Sidnei Piva. O montante envolve imóveis vendidos durante a recuperação judicial, que não teriam sido revertidos para a empresa nem repassados à família, além de ativos da Viação Caiçara, incorporada à RJ, e outros passivos quitados pelos Cola.
A arbitragem também aponta reclamações sobre a gestão de Sidnei Piva à frente do Itapemirim, incluindo a destinação de aproximadamente 60 milhões de reais para ITA Transportes Aéreos. A empresa aérea, criada por Piva, encerrou atividades em dezembro de 2021, e a Justiça de São Paulo decretou a falência da ITA em 2023.
Do que envolve a disputa
A coluna apurou que a arbitragem detalha contratos com empresa de tecnologia e negociações envolvendo a aquisição de veículos de alto valor. Além disso, aponta pagamento de salário mensal de 350 mil reais que Piva teriam concedido a si mesmo durante a recuperação judicial, prática questionada pela gestão empresarial.
A venda original do Grupo Itapemirim, em 2016, ocorreu em meio à crise financeira. Os compradores, à época, afirmaram possuir créditos tributários capazes de reestruturar o grupo, com valor de venda registrado como 1 real. A Caiçara não integrava a recuperação judicial, mas, conforme os documentos, houve autorização judicial para incorporar ativos como linhas de ônibus, garagens e imóveis.
A reportagem buscou contato com Sidnei Piva por email e WhatsApp, assim como com Camila Valdivia, via email e LinkedIn. Não houve resposta até a conclusão deste texto.
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