- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o BC tem limitações de pessoal, tecnologia e estrutura para fiscalizar o sistema financeiro brasileiro, em meio ao caso Banco Master.
- Galípolo disse que a preocupação não é apenas com CDBs de até quarenta por cento do CDI, e que o risco está em destinar recursos captados do varejo para ativos inadequados ao perfil de banco de varejo.
- O BC anunciou medidas já implementadas para fortalecer a segurança do sistema, incluindo mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e mecanismos para reduzir incentivos ao risco excessivo.
- O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Renan Calheiros, cobrou mais transparência nas investigações e pediu compartilhamento de informações entre Banco Central, STF, Polícia Federal, Ministério Público Federal e CGU.
- Galípolo informou que dois servidores ligados ao caso foram afastados e que as investigações continuam, com encaminhamentos à CGU e à Polícia Federal.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declarou nesta terça-feira que o BC enfrenta limitações de pessoal, tecnologia e estrutura para fiscalizar o sistema financeiro brasileiro. A fala ocorreu durante audiência relacionada ao caso do Banco Master, que dominou parte dos debates no Senado.
Segundo o BC, o tema não se restringe aos CDBs com rentabilidade de até 40% do CDI. O principal risco, afirmou Galípolo, é o destino dos recursos captados junto aos investidores, especialmente quando o dinheiro varejo é garantido pelo FGC, mas aplicado em ativos incompatíveis com o perfil de um banco tradicional.
O presidente argumentou ainda que o BC já publicou medidas para reforçar a segurança do sistema financeiro, incluindo ajustes nas regras do FGC e mecanismos para reduzir incentivos ao excesso de risco.
Master e transparência na fiscalização
Renan Calheiros, presidente da CAE, cobrou maior transparência nas investigações e denunciou supostas brechas legais. O senador afirmou que houve falhas de supervisão e pediu cooperação entre órgãos como BC, STF, PF, Ministério Público e CGU.
O parlamentar mencionou visitas de Daniel Vorcaro ao BC e questionou possíveis vínculos entre autoridades monetárias e o empresário, ressaltando a necessidade de apurações claras.
Estruturas e tecnologia
Durante a sessão, Galípolo confirmou o afastamento de dois servidores ligados ao caso, após investigações internas e decisões judiciais. Os nomes mencionados foram o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana. As apurações foram encaminhadas à CGU e à Polícia Federal.
O presidente do BC ressaltou que o órgão perdeu cerca de 1,2 mil servidores nos últimos dez anos e que novas aposentadorias devem ocorrer em 2026. Por isso, pediu reforço de tecnologia e de inteligência artificial para ampliar a capacidade de fiscalização.
Taxa Selic e inflação
Galípolo também justificou a manutenção da taxa Selic em patamar elevado. A inflação permanece pressionada por fatores internos e externos, enquanto a economia brasileira mostra aquecimento, com desemprego baixo e crescimento da renda.
Ele observou que, entre 2020 e 2025, o BC só alcançou a meta de inflação em dois anos. Entre os motivos citados, citou impactos da pandemia, guerras e aumentos de tarifas internacionais, que dificultam o controle inflacionário.
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