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Gabriel Galípolo defende o BC no caso Master e aponta falhas estruturais

BC aponta limitações de pessoal e tecnologia para fiscalização e cobra reforço estrutural, em meio ao caso Master e à pressão por transparência

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o BC tem limitações de pessoal, tecnologia e estrutura para fiscalizar o sistema financeiro brasileiro, em meio ao caso Banco Master.
  • Galípolo disse que a preocupação não é apenas com CDBs de até quarenta por cento do CDI, e que o risco está em destinar recursos captados do varejo para ativos inadequados ao perfil de banco de varejo.
  • O BC anunciou medidas já implementadas para fortalecer a segurança do sistema, incluindo mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e mecanismos para reduzir incentivos ao risco excessivo.
  • O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Renan Calheiros, cobrou mais transparência nas investigações e pediu compartilhamento de informações entre Banco Central, STF, Polícia Federal, Ministério Público Federal e CGU.
  • Galípolo informou que dois servidores ligados ao caso foram afastados e que as investigações continuam, com encaminhamentos à CGU e à Polícia Federal.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declarou nesta terça-feira que o BC enfrenta limitações de pessoal, tecnologia e estrutura para fiscalizar o sistema financeiro brasileiro. A fala ocorreu durante audiência relacionada ao caso do Banco Master, que dominou parte dos debates no Senado.

Segundo o BC, o tema não se restringe aos CDBs com rentabilidade de até 40% do CDI. O principal risco, afirmou Galípolo, é o destino dos recursos captados junto aos investidores, especialmente quando o dinheiro varejo é garantido pelo FGC, mas aplicado em ativos incompatíveis com o perfil de um banco tradicional.

O presidente argumentou ainda que o BC já publicou medidas para reforçar a segurança do sistema financeiro, incluindo ajustes nas regras do FGC e mecanismos para reduzir incentivos ao excesso de risco.

Master e transparência na fiscalização

Renan Calheiros, presidente da CAE, cobrou maior transparência nas investigações e denunciou supostas brechas legais. O senador afirmou que houve falhas de supervisão e pediu cooperação entre órgãos como BC, STF, PF, Ministério Público e CGU.

O parlamentar mencionou visitas de Daniel Vorcaro ao BC e questionou possíveis vínculos entre autoridades monetárias e o empresário, ressaltando a necessidade de apurações claras.

Estruturas e tecnologia

Durante a sessão, Galípolo confirmou o afastamento de dois servidores ligados ao caso, após investigações internas e decisões judiciais. Os nomes mencionados foram o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana. As apurações foram encaminhadas à CGU e à Polícia Federal.

O presidente do BC ressaltou que o órgão perdeu cerca de 1,2 mil servidores nos últimos dez anos e que novas aposentadorias devem ocorrer em 2026. Por isso, pediu reforço de tecnologia e de inteligência artificial para ampliar a capacidade de fiscalização.

Taxa Selic e inflação

Galípolo também justificou a manutenção da taxa Selic em patamar elevado. A inflação permanece pressionada por fatores internos e externos, enquanto a economia brasileira mostra aquecimento, com desemprego baixo e crescimento da renda.

Ele observou que, entre 2020 e 2025, o BC só alcançou a meta de inflação em dois anos. Entre os motivos citados, citou impactos da pandemia, guerras e aumentos de tarifas internacionais, que dificultam o controle inflacionário.

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