- Em audiência no Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a criação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master chamou atenção do BC em meio à crise de liquidez da instituição.
- Em novembro de 2024, foi assinado um termo de compromisso com o Master, que teve seis meses para ajustar governança, capital e liquidez.
- O Master passou a captar recursos com garantias do Fundo de Garantia de Créditos (FGC), mas enfrentou restrições para captar pelo FGC e não teve sucesso em captar de fundos de investimento.
- A venda de carteiras para o Banco Regional de Brasília (BRB) é investigada pela Polícia Federal por suspeita de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos; o BC não autorizou a operação de compra pelo BRB.
- A partir de janeiro de 2025, o BC criou um grupo para analisar as carteiras; a liquidação extrajudicial ocorreu em 18 de novembro de 2025, após a recusa da compra pelo BRB.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que a criação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master, para captar recursos, chamou a atenção do BC durante a crise de liquidez da instituição de Daniel Vorcaro. A fala ocorreu nesta terça (19) em audiência da CAE do Senado.
Conforme Galípolo, o BC percebeu que, diante de queda de liquidez, o banco poderia vender carteiras, o que indica estágio crítico. Ele explicou que a venda de uma carteira nova, em meio a restrições de liquidez, foi o ponto que chamou a atenção imediatamente.
Ele informou que, em nov/2024, foi assinado termo de compromisso com o Master, com seis meses para melhorar governança, capital e liquidez. O banco passou a captar recursos com garantias do FGC, mas teve restrições nessa captação.
O BC indicou que o Master tentou captar de fundos de investimento, sem sucesso, e descreveu intensificação de vendas de carteiras desde 2023, com especial foco em operações com o BRB. Essas ações aumentaram a atenção regulatória.
A venda de carteiras para o BRB é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura possível fraude de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos. O BRB tentou adquirir o Master, mas o BC não autorizou a operação.
A partir de jan/2025, o BC formou grupo específico para analisar as novas carteiras do Master, diante dos problemas de liquidez. A liquidação extrajudicial do banco ocorreu em 18 nov/2025, após a recusa da compra pelo BRB.
Antes da liquidação, o Master chegou a propor outra solução, envolvendo supostos investidores árabes não identificados pelo BC. Galípolo afirmou não ter conhecimento desses investidores e desconfiou da proposta.
Risco sistêmico foi tema recorrente na fala de Galípolo. O presidente sustendeu que a liquidação do Master não representava risco relevante ao sistema financeiro, estimado em menos de 0,5% do total. O foco era o que ocorria com o dinheiro do banco.
Segundo o BC, liquidar a instituição não é punição aos gestores, pois o público é o principal prejudicado. A autoridade ressaltou que a decisão busca evitar danos maiores e não punir indivíduos específicos.
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