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Galípolo usa Caso Master para defender autonomia do Banco Central

Presidente do Banco Central usa caso Banco Master para defender autonomia e PEC, apontando vulnerabilidade do sistema financeiro e lentidão regulatória

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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou da CAE do Senado e dedicou boa parte de sua fala ao caso Banco Master, deixando a política monetária em segundo plano.
  • Galípolo defendeu a aprovação da PEC que amplia a autonomia do BC, dizendo que é preciso transformar a crise do Master em oportunidade.
  • O presidente ressaltou a disparidade entre o BC brasileiro e instituições estrangeiras, citando que o BCE tem aproximadamente vinte técnicos por instituição supervisionada, enquanto, no Brasil, é um técnico para vinte instituições.
  • Também mencionou que servidores do BC trabalham madrugadas e fins de semana para manter o sistema do Pix funcionando, e apontou a necessidade de modernização para evitar vulnerabilidades no sistema financeiro.
  • No campo monetário, houve anúncio de cenário de inflação com metas, com foco na inflação e nas expectativas, enquanto a Focus projeta Selic de 13,25% em 2024/este ano, caindo a 11% em 2025 e 10% em 2028, com alerta sobre o impacto do El Niño.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), participou da CAE do Senado na terça-feira (19) e dedicou boa parte de sua fala ao caso Banco Master, mantendo a defesa da autonomia da instituição em segundo plano durante a sessão.

A atuação gerou avaliação de analistas de que o chefe do BC foi questionado sobre tema não relacionado à política de juros. A repórter Lucinda Pinto, da CNN Money, mencionou a surpresa com a forte ênfase no tema.

Defesa da PEC e autonomia do BC

Durante a sessão, Galípolo insistiu na necessidade de aprovar a PEC que amplia a autonomia do BC, apresentando o tema como forma de fortalecer a instituição diante do mercado. Segundo a analista, o tom foi de transformar a crise em oportunidade de reforma.

O presidente ressaltou a disparidade entre o BC brasileiro e instituições internacionais, ao mencionar que no Brasil a relação técnico/instituições é menor do que em muitos pares estrangeiros. Em comparação, o BCE investe mais gente por instituição supervisionada.

Ele destacou ainda a atuação dos servidores do BC, que trabalham em horários além do expediente para manter em funcionamento o sistema de pagamentos instantâneos Pix, enfatizando a importância da modernização e da agilidade regulatória.

Perspectivas da PEC no Congresso

A tramitação da PEC no curto prazo permanece incerta. O relator, senador Plínio Valério, informou que o texto será lido na CCJ nesta quarta-feira (20), com possibilidade de pedido de vista que pode atrasar o andamento.

A analista afirmou que, mesmo com eventual avanço, a proposta pode não avançar de forma relevante ainda neste ano. A urgência apontada envolve a necessidade de acompanhar o crescimento e a complexidade do sistema financeiro, incluindo fintechs e open finance.

Ela advertiu sobre limitações do BC para acompanhar inovações tecnológicas devido à necessidade de alinhar mudanças com outras instâncias, o que pode ampliar vulnerabilidades a golpes e corrupção.

Panorama monetário e risco inflacionário

Ainda que com menos espaço na fala, Galípolo tratou da política monetária, mantendo o compromisso com a meta de inflação e a ideia de que a autoridade monetária reagirá às expectativas do mercado. O cenário é de cautela frente às projeções.

As projeções indicam que a mediana do IPCA fica em 4,92% para 2026 e 4% para 2027, com o El Niño devendo agravar o cenário inflacionário no próximo ano. O BC sinalizou que a conduta da política seguirá para manter a ancoragem das expectativas.

O relatório Focus aponta para uma Selic de 13,25% neste ano, 11% em 2027 e 10% em 2028, sem expectativa de dígito único nos próximos anos. A fala reforçou o alinhamento entre metas e instrumentos disponíveis.

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