- 62% dos gestores esperam que os rendimentos dos Treasuries de 30 anos fiquem acima de 6% em algum momento nos próximos 12 meses.
- As expectativas de juros mais altos aumentaram para 23%, o maior nível desde outubro de 2022, com cerca de 50% prevendo cortes do Fed nos 12 meses seguintes.
- A alocação líquida em ações subiu de 13% para 50% em maio, representando o maior avanço mensal já registrado.
- O sentimento dos investidores subiu para 6,6, voltando aos níveis de antes da crise no Oriente Médio; 73% veem ações globais de semicondutores como a posição mais congestionada.
- O indicador Bull & Bear ficou em 7,8, sinalizando possível movimento de venda; o caixa médio caiu para 3,9%, a maior queda mensal desde fevereiro de 2024.
A pesquisa mensal do Bank of America (BofA) com gestores de fundos aponta que a maioria prevê rendimentos dos Treasuries de 30 anos acima de 6% em algum momento nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, a maior parte ainda enxerga espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). No mês de maio, houve alocação recorde em ações, mas o banco alerta para possível correção próxima.
Entre os respondentes, 62% acreditam em juros acima de 6% para os Treasuries de 30 anos nos próximos 12 meses, contra 20% que veem rendimentos abaixo de 4%. A expectativa de juros mais altos aumentou de 4% para 23%, o maior nível desde outubro de 2022. O levantamento foi divulgado na manhã desta terça-feira (19).
Às 11h45, os Treasuries de 30 anos rendiam 5,187%, frente a 5,127% no fechamento anterior, em leve alta. O CME Group aponta cerca de 50% de probabilidade de aperto do Fed neste ano, conforme futuros dos Fed funds. Ainda assim, 50% dos gestores veem espaço para cortes de juros nos próximos 12 meses.
Mercado de ações e confiança
A alocação líquida em ações subiu de 13% para 50% em maio, marcando o maior ganho mensal já registrado. O índice de otimismo global do BofA subiu de 3,7 para 6,6, recuperando níveis pré-guerra no Oriente Médio. Obrigações com semicondutores globais aparecem como a posição mais concentrada.
O levantamento mostra adesão ao risco, com o maior posicionamento em tecnologia desde fev/2024. A alocação em setores cíclicos versus defensivos atingiu o nível mais elevado desde jan/2018. Retornos corporativos são vistos com otimismo: 17% dos entrevistados esperam melhora, 14% previam piora no mês anterior.
Cenários e riscos
Preocupações com o Irã recuaram: 66% acreditam que o gargalo no Estreito de Ormuz será resolvido nos próximos meses. 44% esperam reabertura já em junho, 22% só no terceiro trimestre e 10% em maio. Riscos de cauda geopolíticos caíram de 44% para 20%.
No fronto de commodities, o petróleo Brent é projetado em US$ 85 por barril no fim de 2026, estável frente ao mês anterior. 26% dos gestores projetam Brent acima de US$ 90; 7% dizem que pode superar US$ 100 ao fim do ano.
Perspectivas de mercado e liquidez
O indicador Bull & Bear do BofA subiu para 7,8, próximo de sinal de venda. A trajetória dos rendimentos dos Treasuries deve ditar a magnitude da correção esperada. O caixa médio caiu de 4,3% para 3,9%, a menor leitura desde fev/2024, sinalizando possível movimento de realização.
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