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Inflação alta sugere BC poderia ter sido mais conservador, diz Galípolo

Presidente do Banco Central diz que inflação ficou acima da meta em quatro de seis anos, sugerindo que a política monetária poderia ter sido mais conservadora

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado em 2025
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a inflação alta ao longo do tempo indicaria que a Selic poderia ter ficado mais alta em alguns momentos, se o BC fosse mais conservador.
  • Em seis anos, em quatro não houve cumprimento da meta de inflação; 2020 e 2023 foram os anos de cumprimento. Em 2020, a inflação foi quatro por cento, com tolerância de até dois décimos de ponto; fechou em quatro vírgula cinquenta e dois por cento em doze meses. Em 2023, a meta era três vírgula vinte e cinco por cento e a variação foi quatro vírgula sessenta e dois por cento.
  • Galípolo disse que a ideia de “juros sistematicamente acima da média” não esclarece por que a inflação permaneceu acima da meta, sugerindo questões estruturais na política monetária brasileira.
  • A inflação vinha caindo em resposta à taxa de juros elevada, mas houve mais um choque de oferta nos últimos anos, com quatro choques em seis anos: pandemia, guerra na Ucrânia, tarifaço e guerra no Irã.
  • O BC passa a enfrentar dois desafios: separar o impacto de elevação de preços por choques de oferta de efeitos de segunda ordem e monitorar possíveis efeitos do petróleo e do El Niño na inflação.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ao Senado que a trajetória recente de juros e inflação indicaria que o BC poderia ter adotado um tom mais conservador em alguns momentos, elevando a Selic ainda mais em determinadas fases. A avaliação envolve dados de 2020 a 2025.

Segundo Galípolo, a inflação não seguiu a meta em quatro dos seis anos analisados, o que, segundo ele, sugere que o esforço da política monetária foi superior ao necessário para cumprir o objetivo apenas em alguns períodos. Em 2020 houve cumprimento da meta, com 4,0% (+ 1,5 p.p. de tolerância), fechando em 4,52%.

Ainda conforme o presidente, a meta de 2023, de 3,25%, também não foi atingida, com inflação de 4,62% ao fim do ano. Ele apontou que a afirmação de que a taxa de juros costuma ficar acima da média não explica sozinha o desvio da inflação, levantando questões sobre o regime monicario no Brasil.

Em discurso recente, Galípolo destacou que a inflação só começou a recuar quando a política monetária ficou em patamar elevado por um período, mas ressaltou que, nos últimos anos, ocorreram choques de oferta que elevaram as projeções de preço. Ao todo, houve quatro choques em seis anos.

Entre os choques listados, o presidente citou a pandemia, a guerra na Ucrânia, o aumento de tarifas e a guerra no Irã. Para ele, cada choque alterou o nível geral de preços, exigindo resposta de política monetária que enfrentou maior dificuldade de ancorar as expectativas.

O BC avalia ainda que a economia brasileira segue aquecida, com desemprego em baixa. O desafio atual, segundo Galípolo, é separar o impacto imediato de elevações de preço decorrentes de choques de oferta de efeitos de segunda ordem que se propagam pela economia.

Outro ponto tratado foi o impacto de fatores externos sobre a inflação doméstica, como o preço do petróleo, que pode subir em função do conflito no Irã, e a possibilidade de efeitos do fenômeno El Niño. O presidente indicou a necessidade de monitorar esses movimentos para calibrar a política monetária.

A mensagem principal, segundo o BC, é a necessidade de observar como diferentes choques de oferta influenciam o nível geral de preços e a atividade econômica, mantendo a inflação sob controle sem comprometer o crescimento.

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