- O saldo de investidores internacionais na bolsa foi positivo em 2026, em R$ 53,9 bilhões, mas caiu para negativo em maio, de R$ 8 bilhões.
- Em abril, o saldo passou de +R$ 15,7 bilhões ao meio do mês para +R$ 3,2 bilhões no fim, e em maio houve saída líquida em todos os pregões, com média de R$ 609 milhões por dia.
- Fatores principais: incertezas sobre a guerra no Irã e a inflação, além de rotação para ações de tecnologia e cautela com perspectivas de juros.
- O dólar avançou e a bolsa recuou em maio, com o dólar subindo e o câmbio influenciando o humor do mercado; a Selic está em 14,5% no Brasil, enquanto nos EUA há expectativa de juros elevados.
- Pesquisas de gestores indicam menor otimismo com a Bolsa brasileira, com revisão do Ibovespa e ajuste de previsões de inflação (IPCA) para este ano.
O fluxo de investidores estrangeiros na bolsa brasileira mudou de rumo em maio, em meio a incertezas sobre a guerra no Irã e pressões inflacionárias. Mesmo com saldo anual positivo de 53,9 bilhões de reais em 2026, a maioria das operações em maio foi de saída líquida, apontam dados da B3.
Até o momento, o saldo entre compras e vendas de ações por estrangeiros está negativo em 8 bilhões de reais em maio. A reversão já era perceptível em abril, quando o saldo caiu de 15,7 bilhões para 3,2 bilhões. Em maio, cada pregão registrou saída líquida, com média de 609 milhões por dia.
Panorama de fluxo e renda fixa
Especialistas apontam que o ajuste brasileiro acompanha movimentos globais. A saída de capitais ocorre em função de tensões internacionais, câmbio mais estável e perspectivas de juros nos EUA. Analistas destacam rotação de recursos para ações de tecnologia, o que favorece setores específicos, como na Nasdaq.
O JPMorgan afirma que houve rotação para tecnologia, enquanto o cenário brasileiro tende a andar de lado no curto prazo. O relatório cita ritmo menor de cortes de juros e volatilidade eleitoral como entraves ao investidor estrangeiro. O real já opera em patamar relativamente alto, ampliando a cautela.
Juros, inflação e cenário global
Dados do Boletim Focus indicam inflação mais alta este ano, com IPCA aumentando de 4,80% para 4,92%. A projeção para a Selic, segundo o BC, aponta encerramento de 2026 em 13,25% ao ano, ante 12% prévia.
Nos Estados Unidos, expectativas sobre cortes de juros recuaram. A probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual no segundo semestre elevou as apostas do mercado, contribuindo para maior cautela global. Esse ambiente costuma favorecer renda fixa frente a ativos de risco.
Implicações locais e conjuntura política
Com o fim de abril e início de maio, o cenário político local ganhou volatilidade adicional após revelações sobre ligações entre Flávio Bolsonaro e um executivo do Banco Master. O matiz político alimenta dúvidas sobre candidaturas e disciplina fiscal, impactando o apetite a risco.
Economistas ressaltam que, diante de guerra externa, rotação de juros e incertezas eleitorais, há maior demanda por ativos mais conservadores. A volatilidade tende a permanecer enquanto não houver clarificações sobre política monetária e eleitoral.
Em maio, o Ibovespa acumula queda no mês, ainda que o saldo anual sinalize resiliência. O dólar acompanha a curva externa, registrando alta frente ao real e contribuindo para o cenário de aversão a risco entre investidores estrangeiros.
Perspectivas e leituras
Especialistas apontam que, no médio prazo, as ações brasileiras podem permanecer estáveis, diante de cortes de juros mais lentos e de novos choques inflacionários. O cenário externo, com fiscal e política monetária definidas, deve manter o nível de cautela dos fluxos de capitais estrangeiros. As informações são compiladas a partir de dados da B3 e de relatos de mercado.
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