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Juros no Brasil superam pares, inflação fica acima da meta, diz Galípolo

Presidente do Banco Central afirma que Brasil mantém juros acima de pares, enquanto inflação persiste acima da meta, diante quatro choques de oferta

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil mantém juros historicamente mais altos que os pares, enquanto a inflação segue acima da meta.
  • Segundo ele, em quatro dos seis últimos anos o BC não cumpriu a meta, sendo os únicos 2020 e 2023 com comunicação de não cumprimento.
  • O BC analisa núcleos da inflação e observou que a média atual dos núcleos está no mesmo nível da inflação cheia.
  • Os quatro grandes choques de oferta recentes — covid, guerra na Ucrânia, tarifas e Oriente Médio — elevaram preços e trouxeram novos desafios.
  • Sobre dívida pública, destacaram-se as Letras Financeiras do Tesouro indexadas à Selic, refletindo a relação brasileira entre juros e endividamento público.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em Brasília que o Brasil mantém juros historicamente mais altos que pares, mas a inflação insiste em superar a meta. A declaração foi feita durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta terça-feira.

Galípolo destacou que, desde 2020, quatro anos apresentaram falha em cumprir a meta de inflação, com exceção de 2021. Segundo ele, a convivência entre juros altos e inflação elevada sugere um desafio estrutural para a política monetária brasileira.

O dirigente explicou que o BC analisa núcleos de inflação e que a média atual desses núcleos está próxima da inflação total. A leitura busca entender a persistência de pressões de preço, além da variação mensal.

Choques de oferta e consumo

Ao falar dos choques de oferta recentes, Galípolo lembrou a pandemia, a guerra na Ucrânia, tarifas e, agora, o conflito no Oriente Médio. Esses eventos ajudam a elevar o nível geral de preços.

Para entender o comportamento do consumidor, o executivo disse que, globalmente, houve aumento do uso de crédito após quedas de renda. No Brasil, houve intensificação desse efeito, ligado à maior bancarização e ao Pix.

Atual cenário e núcleo da política

O presidente do BC afirmou que, apesar do menor nível de desemprego, choques de oferta desalinham as expectativas. O desafio é diferenciar elevações causadas por choques de oferta de efeitos de segunda ordem.

Atualmente, o petróleo em alta e a possibilidade de El Niño mais intenso são vistos como fatores pressionadores. O BC precisa evitar que choques de oferta gerem espiral preço-remuneração.

Câmbio, dívida e cenário externo

Galípolo informou que o câmbio tem se comportado de forma estável, com o real se valorizando frente a pares. A percepção é de que o Brasil se beneficia por ser exportador líquido de petróleo.

Sobre o dólar, ele disse que a curva de juros americana vem bem, mas a desvalorização da moeda ocorre diante do otimismo com ganhos de produtividade. O real é visto como porto seguro em cenários de risco.

Dívida pública e particularidades brasileiras

A fala também tratou da relação entre política monetária e dívida pública, destacando títulos indexados à Selic. Segundo o BC, o uso de LFT ajuda a renda dos detentores quando a taxa sobe.

Galípolo mostrou que a decisão de ligar parte da dívida à Selic reflete o custo de rolar o déficit. A prática é apresentada como particularidade do arcabouço brasileiro.

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