- Jeff Currie afirma que as sete maiores petroleiras — ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips, Shell, Total Energies, BP e Equinor — formam o maior trade assimétrico do momento, com 15,5% de free cash flow yield versus quase zero para as hyperscalers de IA.
- Currie sustenta que o setor está ofertando liquidez superior e demanda menor, o que deve pressionar o consumo e elevar a inflação conforme estoques de petróleo caem.
- O Brent já subiu cerca de oitenta por cento no ano, e ele acredita que o ajuste de preços deve ocorrer quando os estoques estiverem próximos do esgotamento, gerando demanda de redução.
- Segundo o estrategista, há uma rotação de capital em curso da tecnologia para ativos de commodities, acelerada pela crise geopolítica e pela demanda por moléculas que sustentam a IA.
- Currie aponta que o mercado não precificou o que chama de maior choque de oferta da história e que a inflação de atacado já reflete parte do impacto da guerra no Oriente Médio.
A maior oportunidade de investimento no momento não é entre as grandes empresas de tecnologia, e sim entre as sete petroleiras globais mais influentes, conhecidas como as Munificent Seven. A tese é defendida por Jeff Currie, veterano strategist de commodities com passagem de mais de duas décadas pela Goldman Sachs.
Currie hoje atua como conselheiro do Carlyle e co-presidente executivo da Abaxx Markets. Em entrevista à Bloomberg, ele classificou o setor de óleo e gás como o maior trade assimétrico recente, destacando um rendimento de fluxo de caixa livre de 15,5% para as petroleiras.
Segundo o estrategista, as hyperscalers de IA oferecem retorno próximo de zero nessa métrica, tornando a aposta nas sete grandes companhias uma proteção de capital diante do desequilíbrio entre oferta e demanda no setor de energia, antes e após o conflito no Oriente Médio.
Entre as Munificent Seven estão ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips, Shell, Total Energies, BP e Equinor. Currie repetiu que, do ponto de vista estritamente econômico, o investimento nessas empresas é a estratégia mais simples para capturar o valor do momento.
O Brent acumula alta de cerca de 80% no ano. O analista afirma que a crise no Irã ainda não foi precificada como choque estrutural, e que a trajetória de liquidez aponta para um aperto inflacionário decorrente da demanda em aumento com oferta retraída.
Currie aponta que a inflação no atacado dos EUA já reflete o choque da geopolítica, com o PPI indicando alta anual de 6% em abril. Ele sustenta que o mercado não precificou plenamente o que classifica como o maior choque de oferta da história.
O estrategista destacou uma rotação de investimentos: menor peso de tecnologia em favor de commodities. Ele citou que há US$ 780 bilhões em capex de hyperscalers, com metade direcionada para ativos de commodities, reforçando a ligação entre IA e insumos físicos.
Currie ainda ressaltou que o preço e a disponibilidade de petróleo dependem da reativação de capacidade de refino, que está em níveis baixos há uma década, enquanto o upstream sofreu queda de 35% no capex desde o pico de 2015.
Em análises anteriores, ele indicou que o capital tende a se mover entre classes de ativos conforme a demanda por moléculas físicas e dados, sinalizando que a rotação de recursos pode favorecer ativos energéticos diante da atual conjuntura.
A visão de Currie sustenta que o histórico de aluguel de ativos revela uma concentração de capital na IA, mas os fundamentos de energia permanecem essenciais para sustentar o funcionamento da tecnologia, o que, segundo ele, favorece as petroleiras frente às empresas de tecnologia.
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