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Problema do Master foi o uso dos recursos, diz Galípolo, presidente do BC

Galípolo afirma que o Master foi liquidado pelo uso de recursos captados em CDBs para ativos de maior risco, criando descasamento entre passivos e ativos

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em audiência na CAE do Senado
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  • O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central devido ao uso dos recursos captados, e não apenas pela captação por meio de CDBs.
  • Os recursos captados foram aplicados em operações não bancárias, em ativos de maior risco e baixa liquidez, incompatíveis com o perfil de banco comercial.
  • Esse descasamento entre ativos e passivos dificultou a recomposição de recursos e levou à liquidação em novembro de 2025.
  • O BC anunciou medidas para evitar repetição do problema, incluindo limites à oferta de produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a criação do Ativo de Referência (AR) para avaliar a saúde financeira das instituições.
  • O colapso do Master custou 51,8 bilhões ao FGC; mudanças entram em vigor gradualmente, com exigências sobre o FGC a partir de junho de 2026 e metas de liquidez em 2027.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central devido ao uso dos recursos captados junto a clientes, e não pela forma de captação em si. A afirmação foi feita pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em audiência na CAE do Senado.

Segundo Galípolo, os recursos captados por meio de CDBs não configuram irregularidade por si, mas a forma de aplicação desses recursos. O banco aplicava dinheiro de varejo em ativos de maior risco e baixa liquidez.

Dados apresentados indicam um descasamento entre passivos e ativos. O Master utilizou recursos do varejo garantidos pelo FGC para investir em ativos não compatíveis com o perfil de um banco comercial.

Como consequência, houve dificuldade para honrar resgates de clientes que tinham CDBs no banco liquidado. O BC ressaltou a importância de evitar esse descompasso entre o passivo e o ativo.

O sinal de alerta apareceu em 2025, quando o BC percebeu que o Master criava novas carteiras de crédito em vez de se desfazê-las. A liquidação extrajudicial ocorreu em novembro daquele ano.

Medidas tomadas pelo BC incluem mudanças para evitar a repetição do problema, como limitar a oferta de produtos cobertos pelo FGC. O objetivo é reduzir riscos assumidos com a proteção do fundo.

Foi criado o Ativo de Referência, indicador para avaliar a saúde financeira das instituições. Ele mede a existência de investimentos seguros com liquidez rápida.

Bancos que captam muito dinheiro com garantia do FGC passam a ter novas obrigações. Acima do AR, devem adquirir títulos públicos federais.

A finalidade é evitar lucros elevados sem lastro suficiente para pagamento. As mudanças visam evitar uso inadequado da proteção do FGC para assumir riscos.

A autoridade também aumentou a exigência de caixa para bancos médios e pequenos, exigindo capacidade de pagamento de dívidas de curto prazo em crises.

As mudanças ganharam força após a quebra do Master em 2025, que utilizava o FGC para atrair clientes, mas investia em títulos de difícil venda.

O colapso gerou um rombo estimado em 51,8 bilhões de reais ao FGC, afetando parte de suas reservas. O fundo atua como seguro para depósitos até 250 mil reais.

As regras do sistema financeiro começarão a entrar em vigor aos poucos. As exigências sobre o FGC começam em junho de 2026; as metas de liquidez valem em 2027.

Processos ligados ao Master resultaram em liquidações de outras entidades do grupo, incluindo corretora e banco de investimento, além de empresas ligadas ao ex-banqueiro.

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