- Tarifas aéreas domésticas no Brasil subiram mais de trinta por cento, em base anual, desde o início da guerra envolvendo o Irã, segundo o monitor de preços do J.P. Morgan.
- O aumento é puxado pela alta do querosene de aviação; antes do reajuste de maio, o querosene respondia por cerca de quarenta e cinco por cento dos custos operacionais das companhias, aponta a Abear.
- As empresas reduziram a oferta e cortaram voos em quase cinco por cento em maio, antecipando a demanda de julho, que é o pico da temporada de viagens.
- A Petrobras promoveu a terceira alta consecutiva do combustível em maio, de dezoito por cento, após aumentos de nove vírgula quatro por cento em março e cinquenta e quatro vírgula oito por cento em abril; a estatal manteve opções de parcelamento em seis vezes para distribuidoras, com primeira parcela em julho de dois mil e vinte e seis.
- O J.P. Morgan revisou a capacidade da Azul para queda de cinco por cento na comparação anual; mantém Latam e Copa como favoritas (overweight), enquanto Azul é classificada como neutra por questões ligadas a ADRs e ao balanço após o Chapter eleven.
As tarifas aéreas domésticas no Brasil subiram mais de 30% em base anual desde o início da guerra no Irã, aponta o monitor de preços do J.P. Morgan, em relatório divulgado nesta terça-feira (19). O repasse está ligado ao aumento do querosene de aviação, que acompanha a cotação do petróleo pressionada pelo conflito.
O conflito, iniciado após ataques de EUA e Israel ao território iraniano, elevou o custo do combustível para as companhias. A alta ocorre antes da temporada de maior demanda no luxo de julho, quando o recesso escolar impulse o turismo no país, ampliando o efeito sobre as tarifas.
A ampliação de preços se dá fora do período tradicional de maior procura, o que ajuda a isolar o custo do combustível como principal vetor do reajuste. A Copa do Mundo, realizada entre 11 de junho e 19 de julho, também aumenta a demanda internacional nesse intervalo, enquanto as empresas reduzem oferta doméstica.
O querosene representava 45% dos custos operacionais das companhias antes do reajuste de maio, segundo a Abear. A Petrobras, responsável por cerca de 85% da produção nacional de combustível, promoveu a terceira alta consecutiva do insumo em maio, com reajuste de 18%.
A estatal manteve a opção de parcelamento em seis vezes para as distribuidoras, com a primeira parcela prevista para julho de 2026, segundo a companhia. A medida visa preservar a demanda e reduzir impactos sobre o setor.
Como resposta, as empresas reduziram a oferta antes do pico de demanda. A Anac apontou queda de quase 5% na voo anunciada por maio, em comparação com estimativas anteriores.
O J.P. Morgan revisou a projeção de capacidade da Azul para -5% na comparação anual, frente a previsão anterior de +1%. Mesmo diante do cenário, o banco mantém preferências por Latam Airlines e Copa, com recomendação de overweight.
Segundo o banco, Latam e Copa apresentam balanços mais resilientes e geração de caixa livre consistente, com vantagem adicional para a Latam por hedge de combustível. A Azul é classificada como neutra, devido ao ambiente de ADRs e ao ressurgimento do balanço após saída do Chapter 11.
O mercado avalia que o repasse aos passageiros pode perdurar além da alta temporada, potencialmente até seis meses, conforme observação de especialistas. Roberto Ardenghy, do IBP, destacou à Agência Brasil que a transmissão do aumento do barril às refinarias e aos contratos é um processo longo.
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