- O CNJ lança piloto do Sisbajud para bloquear ativos, válido por dezoito meses, com cinco bancos participantes: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Nubank e XP Investimentos.
- Bloqueios podem ocorrer no mesmo dia da decisão judicial; tempo de cumprimento caiu para até duas horas, com ordens enviadas às 13h e às 20h.
- O bloqueio passa a durar até um ano, podendo reter novos depósitos e aplicações até atingir o valor da dívida.
- O objetivo é impedir movimentação para contas de terceiros e tornar a recuperação de dívidas mais rápida, com comunicação automatizada entre tribunais e instituições financeiras.
- Recomenda-se acompanhar processos, reunir documentos e acionar um advogado rapidamente em caso de bloqueio, especialmente se houver valores protegidos pela lei.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) colocou em prática um piloto do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud). A iniciativa visa localizar e bloquear recursos de devedores em ações judiciais, com mudanças relevantes no tempo de execução e na abrangência dos bloqueios.
A mudança principal é o bloqueio já ocorrer no mesmo dia da decisão, com monitoramento contínuo por até um ano. Bancos passam a obedecer às ordens duas vezes ao dia, às 13h e às 20h, reduzindo o tempo de resposta. O objetivo: acelerar a recuperação de dívidas.
O projeto-piloto funciona há uma semana e envolve cinco bancos que assinaram acordo com o CNJ. Participam Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Nubank e XP Investimentos. A expectativa é ampliar para o sistema financeiro inteiro.
Além da redução do tempo, o sistema amplia o alcance dos bloqueios. Antes, apenas o saldo disponível no momento da ordem era atingido. Agora, novos depósitos recebidos podem ficar retidos até alcançar o valor da dívida.
A nova versão do Sisbajud automatiza a comunicação entre tribunais e instituições financeiras, ampliando o poder de rastreamento sobre contas e aplicações. Segundo o CNJ, a meta é tornar a recuperação de créditos mais ágil e impedir transferências para terceiros após a expedição da ordem.
Reação rápida
Apesar da ampliação, a legislação protege salários, aposentadorias, pensões e parte de valores na poupança. Especialistas alertam para a necessidade de o devedor agir rapidamente se houver bloqueio indevido.
Em ações de cobrança, o bloqueio costuma ocorrer por liminar, sem aviso prévio. O objetivo é impedir movimentação de recursos até a efetivação da ordem.
Recomendações
Após o bloqueio, o réu tem até cinco dias para entrar com recurso e pedir o desbloqueio. A defesa deve demonstrar que o valor retido compromete a subsistência ou envolve créditos protegidos. A agilidade do novo modelo pode exigir busca rápida por orientação especializada.
A orientação é acompanhar processos, manter comprovantes de renda organizados e consultar um advogado ao perceber bloqueio. O monitoramento contínuo aumenta o risco de retenções automáticas de salários e depósitos.
O que muda
- Bloqueios no mesmo dia da decisão;
- Bancos têm até duas horas para iniciar a restrição;
- Monitoramento pode durar até um ano;
- Novos depósitos podem ser bloqueados automaticamente;
- Duas janelas diárias de processamento: 13h e 20h;
- Troca de informações entre Justiça e bancos pelo sistema.
Como funciona
Antes: o bloqueio atingia apenas o saldo disponível no momento da ordem. Agora, o chamado bloqueio permanente mantém a ordem ativa por até um ano, retendo salários, transferências ou depósitos futuros até quitar a dívida.
Bancos participantes
O piloto, com duração de 18 meses, iniciou com cinco bancos:
- Caixa Econômica Federal
- Banco do Brasil
- Itaú Unibanco
- Nubank
- XP Investimentos
Após os testes, a expectativa é expandir o modelo para o restante do sistema financeiro.
O que fazer?
Caso haja bloqueio, recomenda-se:
- procurar um advogado imediatamente;
- verificar qual processo originou o bloqueio;
- identificar o valor retido;
- reunir documentos que comprovem a origem do dinheiro;
- solicitar o desbloqueio de valores protegidos por lei.
Documentos necessários
Principais documentos para pedir desbloqueio:
- Extratos bancários;
- Holerites;
- Extratos do INSS;
- Comprovantes de aposentadoria;
- Recibos de aluguel;
- Despesas médicas e essenciais.
Valores protegidos
A legislação protege parte da renda. Em geral, não podem ser bloqueados:
- salários, aposentadorias, pensões;
- outros benefícios do INSS;
- até 40 salários mínimos em poupança.
Exceções previstas
Proteção não é absoluta. A Justiça pode autorizar bloqueios em casos específicos:
- dívidas de pensão alimentícia;
- empréstimos consignados;
- ativos acima de 50 salários mínimos.
Cuidados preventivos
Medidas recomendadas:
- acompanhar processos pelo CPF;
- renegociar dívidas antes da execução;
- separar conta-salário da conta principal;
- guardar comprovantes de renda;
- evitar transferências para terceiros após conhecimento da cobrança.
Transferir recursos para terceiros para escapar de bloqueios pode configurar fraude à execução, elevando o risco do devedor.
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