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Copa, feriados e voos mais caros deflagram guerra por agendas corporativas

Calendário corporativo é comprimido por Copa, feriados e eleições, elevando tarifas aéreas domésticas em mais de 30% desde o início da guerra no Irã e pressionando orçamentos

Aeroporto do Galeão, no Rio: calendário comprimido desorganiza a rotina de negócios e desafia o planejamento de eventos corporativos.
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  • Copa do Mundo de 2026, feriados emendados e eleições comprimem o calendário corporativo, dificultando planejamento de eventos e viagens no Brasil.
  • A guerra no Irã elevou tarifas aéreas domésticas em mais de trinta por cento, pressionando custos de voos e hospedagem nos dias disponíveis.
  • Empresas passaram a alongar estadias para economizar em passagens, adotando políticas de Travel as a Service (TaaS) e planejamento com maior antecedência.
  • Em 2025, o setor de viagens corporativas teve faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões; em 2026, a projeção era de R$ 158 bilhões, mas o calendário e custos dificultaram o crescimento.
  • Dados de custos apontam SP–Rio de Janeiro como rota cara (média de R$ 979), com hotel em SP liderando as estadias; houve queda de voos em maio e investimento em tecnologia para otimizar orçamentos.

A Copa do Mundo de 2026, eleições e feriados emendados reduziram o calendário corporativo no Brasil, elevando tarifas de hotéis e voos. O desafio é planejar eventos, reuniões e deslocamentos com menos datas disponíveis e maior custo.

A consequência é a “guerra por agendas”, com empresas competindo pelas mesmas datas. O resultado é inflação de tarifas em hotéis e passagens nos dias úteis, pressionando orçamentos de viagens.

A Argo Solutions, plataforma de gestão de viagens, aponta dificuldade na precificação. A empresa realizou mais de 6 milhões de trechos aéreos e 3 milhões de reservas de hotel em 2025, e espera retração para o 1º semestre de 2026.

Segundo Aline Bueno, CEO da Argo, o maior impacto da Copa são as agendas disputadas, não apenas voos para os países-sede. Reuniões importantes acabam substituídas por jogos, dificultando a organização estratégica.

O cenário vem após um 2025 de alta no setor: faturamento de R$ 147,8 bilhões, alta de 6,3% ante 2024, impulsionado por eventos empresariais, segundo FecomercioSP e Alagev. Em 2026, a demanda inicial projetava crescimento de 7%.

Dados do monitor de preços do J.P. Morgan indicam alta de mais de 30% nas tarifas aéreas domésticas desde o início da guerra no Irã, prejudicando previsões de orçamento. O movimento é observado por gestores de viagens.

Luiz Moura, da agência VOLL, confirma a pressão: feriados concentrados em dias de semana elevam preços de passagens em cerca de 20%. O trecho São Paulo–Rio de Janeiro é o mais movimentado, com custo médio de quase R$ 980 por bilhete.

A demanda por hospedagem também se acentua: São Paulo lidera em estadias, com destaque para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília. A tendência é de permanência maior durante viagens de negócios.

Levantamento da Alagev com 52 gestores mostrou que 96% já perceberam aumentos nas tarifas, com variações entre 10% e 20% ou mais de 20%. O impacto é mais forte no mercado doméstico.

Para enfrentar os custos, empresas retomam estratégias usadas na pandemia. Em vez de viagens rápidas, há busca por estadias mais longas para viabilizar várias atividades com uma única passagem.

A redução na oferta de voos também preocupa: a Anac aponta queda de quase 5% no número de voos em maio, em comparação com estimativas anteriores. A menor disponibilidade complica o planejamento.

Diante do cenário, a Argo investe R$ 80 milhões em plataforma com inteligência artificial. A solução visa sugerir rotas, consolidar gastos e transformar o modelo de gestão para o Travel as a Service (TaaS).

A ideia é ampliar o uso de viagens com planejamento adiantado, reduzindo pedidos fragmentados e otimizando custos. A meta da empresa, neste ano fiscal, é chegar a R$ 60 milhões com a nova ferramenta.

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