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Gastos do governo somam até R$190 bi; PIB é impactado em 1,4 p.p., diz XP

Estímulos de crédito e renda podem elevar o PIB em até 1,4 p.p. em 2026, com impacto potencial de quase R$ 190 bilhões, aponta XP

Soldado da guarda presidencial no Palácio do Planalto enquanto a bandeira brasileira tremula ao fundo, em Brasília - 31/07/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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  • Estímulos de crédito e renda podem impulsionar o PIB de 2026 em até 1,4 ponto percentual, somando quase R$ 190 bilhões, segundo a XP.
  • Governo já anunciou quatro medidas em um mês e pretende viabilizá-las até 4 de julho, para não violar regras do ano eleitoral.
  • Destaque recente: crédito subsidiado de até R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativos e taxistas; também há linhas para renovação de frotas, máquinas agrícolas e o novo Desenrola 2.0.
  • A XP apresenta uma tabelap com ações e impactos no PIB; o total das medidas soma 1,38 ponto percentual de efeito estimado.
  • Mesmo com valores expressivos, o efeito líquido no PIB tende a ser inferior a 1,4 p.p., já que nem todo o crédito é efetivamente usado; cenário considera potencial motor extra para o crescimento.

O relatório conjunto das equipes de Macro Research e de Política da XP, divulgado na quarta-feira, aponta que os estímulos de crédito e renda do governo podem somar até 190 bilhões de reais e elevar o PIB de 2026 em até 1,4 ponto percentual. O estudo destaca o efeito potencial, ainda que limitado, dessas medidas.

A XP estima que o impacto líquido sobre o PIB de 2026 tende a ficar abaixo de 1,4 p.p., pois nem todos os recursos disponíveis costumam ser efetivamente usados pelos agentes. O relatório considera o cenário de alta de juros e endividamento familiar como freio para o consumo.

Segundo o levantamento, os recursos dos estímulos já anunciados somam 188,7 bilhões de reais, distribuídos entre ações de renda e crédito. Entre os itens, destacam-se crédito subsidiado para motoristas de aplicativos, financiamento para renovação de frotas e o novo Desenrola.

Principais medidas e impactos

  • Reforma do IRPF: isenções e descontos, com impacto estimado de 0,25 p.p. no PIB.
  • Crédito para motoristas de aplicativos e taxistas: até 30 bilhões, com 0,22 p.p. no PIB.
  • Crédito consignado para trabalhadores do setor privado: 28 bilhões, 0,21 p.p.
  • Desenrola 2.0: renegociação de dívidas, 22 bilhões, 0,16 p.p.
  • Brasil Soberano: crédito subsidiado para empresas, 21 bilhões, 0,15 p.p.
  • Move Brasil: renovação de frotas de caminhões e ônibus, 20,5 bilhões, 0,15 p.p.
  • Novo crédito imobiliário: 10 bilhões, 0,07 p.p.
  • Reforma Casa Brasil: reformas residenciais, 9,5 bilhões, 0,07 p.p.
  • Minha Casa Minha Vida – Faixas 3 e 4: expansão, 8 bilhões, 0,06 p.p.
  • Luz do Povo: subsídios na conta de luz para famílias de baixa renda, 4,5 bilhões, 0,03 p.p.
  • Gás do Povo: vale-gás, 1,7 bilhão, 0,01 p.p.

O pacote de medidas deve ser viabilizado até 4 de julho para não violar regras do ano eleitoral. A partir de agosto, entram em vigor restrições de conduta do período eleitoral, limitando novos lançamentos.

Desenrola e construção civil

Nas próximas semanas, o governo planeja avançar com a segunda etapa do Desenrola, direcionada a correntistas adimplentes para liberar renda no curto prazo. Além disso, será ampliada a construção civil por meio da Estratégia Nacional da Construção Industrializada, com o selo Constrói Mais Brasil, para acelerar moradias do Minha Casa Minha Vida.

Ainda que os números sejam expressivos, a XP ressalta que representam um teto para o conjunto de medidas, e o efeito real no PIB pode ficar abaixo dessa margem.

Para analistas, o cenário aponta para um possível motor adicional de crescimento, apoiando uma projeção de expansão do PIB de 2026 em torno de 2,0%, com riscos mais equilibrados entre ganhos e ruídos inflacionários, conforme o andamento das medidas.

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