- iFood entrou com ação na Justiça paulista contra a Keeta, acusando-a de concorrência desleal e espionagem, com pedido de R$ 1 milhão por danos morais e multa diária de R$ 100 mil.
- Segundo o processo, mais de trinta consultorias abordaram 240 funcionários do iFood para obter informações estratégicas, com propostas de remuneração por conversas sobre o mercado de delivery.
- As mensagens citadas apontavam oferecer entre R$ 4 mil e R$ 5,5 mil por hora de conversa, e visavam dados sobre operações, relação com restaurantes, entregadores, indicadores e planos de expansão.
- A Keeta afirmou não contratar terceiros para esse fim e disse não ter sido notificada; a expansão da empresa no Brasil começou em Santos e São Vicente, com desdobramentos e demissões posteriores.
- Policial de inquérito envolve funcionário do iFood que confessou participação em reuniões com a consultoria CIC, com evidências de encontros por videoconferência e possível relação entre Keeta e Meituan.
A iFood abriu uma ação na Justiça contra a Keeta na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo, nesta terça-feira (19/5). A empresa brasileira solicita R$ 1 milhão por danos morais e o cessar de contatos que visem obter informações sigilosas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A ação cita acusações de concorrência desleal e espionagem.
Segundo o documento, elaborado pelo escritório E.Munhoz Advogados e obtido pela PEGN, a iFood aponta assédio de consultorias nacionais e estrangeiras para acessar dados estratégicos sobre o negócio. A prática seria de aproximadamente um ano, envolvendo mais de 30 firmas e 240 colaboradores.
A iFood afirma que os contatos buscavam informações sensíveis sobre operação, relacionamentos com restaurantes e entregadores, indicadores comerciais, planos de expansão e estratégia competitiva. Relata que as abordagens teriam começado perto do anúncio de entrada da Keeta no Brasil e teriam continuidade até abril/maio de 2026, conforme o canal de integridade da empresa.
A Keeta, por sua vez, afirma não contratar terceiros para esse fim e diz não ter sido notificada judicialmente. A empresa também destacou que opera de acordo com a LGPD e segue políticas internas de proteção de dados.
Investigação
Relatos do canal de integridade do iFood indicam conversas de WhatsApp entre um ex-funcionário e terceiros sobre participação em conversas remuneradas com consultorias, com pagamentos relatados de cerca de R$ 5 mil. O caso resultou em um inquérito policial e em reportagens sobre a atuação de consultorias ligadas a uma gigante chinesa.
A apuração aponta que houve coleta de dados de participantes de encontros via Zoom, incluindo contatos com e-mails de domínio @meituan.com, e que cinco reuniões foram realizadas com sete funcionários. A iFood sustenta que houve ligação entre Keeta e Meituan nas abordagens a seus colaboradores.
A polícia abriu investigações após denúncias de espionagem contra a Keeta em Santos, com relatos de abordagens a restaurantes locais, uso de credenciais falsas e obtenção de dados sensíveis de operações, cards e modelos de contratação.
A iFood informou que continuará tomando medidas judiciais e extrajudiciais para coibir práticas de concorrência desleal e reforçou o compromisso de manter um ambiente ético no ecossistema de delivery brasileiro.
Nota da Keeta
A Keeta afirma defender um mercado aberto e justo, atuar dentro dos padrões éticos e legais e cumprir a LGPD. A empresa nega ter recebido notificação judicial e reiterou disponibilidade para cooperação com autoridades.
A reportagem consulta fontes próximas aos processos para acompanhar desdobramentos e novas informações oficiais sobre o andamento da ação.
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