- Em maio, leite longa vida liderou a inflação entre alimentos, com alta de 13,85% frente a abril, segundo o IGP-10 da Fundação Getulio Vargas.
- No varejo e atacado, o preço já aumenta e a inflação oficial também aponta pressão do leite, com alta acumulada entre fevereiro e abril.
- O cenário é de continuidade de alta nos próximos meses, influenciado pela sazonalidade, custos operacionais e clima; El Niño pode piorar o desempenho das pastagens.
- O valor pago ao produtor subiu 10,5% em março na comparação com fevereiro, chegando a R$ 2,3924 por litro em média nacional, segundo Cepea.
- A indústria enfrenta disputa pela matéria-prima, com custos de ração, fertilizantes, energia e diesel subindo, o que pode repassar valores ao consumidor e reduzir investimentos dos produtores.
Em maio, o leite longa vida liderou a pressão inflacionária entre os alimentos, conforme o IGP-10 da Fundação Getulio Vargas, com alta de 13,85% frente a abril. No varejo e atacado, o consumidor já sente o movimento, que também impacta o IPCA, segundo o IBGE. A subida vem após janeiro estável, com elevação de quase 14% de abril para março.
A valorização reflete custos de produção em alta. A ração, fertilizantes, energia e diesel subiram, influenciados pela guerra no Oriente Médio e por frete mais caro. Produtores enfrentam uma demanda maior pela matéria-prima, enquanto a oferta não acompanha plenamente.
Nos bastidores, o custo médio pago ao produtor chegou a R$ 2,3924 por litro em março, alta de 10,5% ante fevereiro, segundo Cepea. Embora haja recuperação, a margem é pressionada pela elevação de insumos e pela menor captação de leite pela indústria.
Fatores que pressionam o preço
A produção sofre com a piora na qualidade das pastagens, típica do outono-inverno. O El Niño pode piorar o cenário, elevando ainda mais o custo de produção e reduzindo a oferta. A indústria disputa a matéria-prima, repassando o custo aos derivados.
O ICAP-L apontou queda de 3,9% em março na média Brasil e retração de 11,1% no 1º trimestre de 2026, reflexo de menor captação pelo setor. Com isso, o mercado de leite cru para processamento fica mais restrito, ampliando a pressão de preços.
Perspectivas e importações
Os custos de operação mostraram alta de 0,46% em março, acumulando 2,11% no trimestre. No campo dos derivados, leite UHT subiu 18,3% e muçarela 6,1%, acompanhando o repasse de custos para o consumidor. Importações de lácteos também cresceram 33% em março, totalizando 604 milhões de litros em equivalente leite. A expectativa é de desaceleração das altas a partir de maio, conforme Cepea.
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