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Por que mais brasileiros viraram motoboys, mesmo renda instável e riscos

Facilidade de iniciar atividades e renda rápida impulsionam crescimento dos motoboys por aplicativos, mas ganhos menores e altos riscos persistem

Motoboys por aplicativo têm rendimento médio menor do que os demais trabalhadores da categoria — Foto: Rowan Freeman/Unsplash
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  • O setor de entregas por aplicativo cresce pelo fácil início de trabalho e pela demanda rápida, com 2,1 milhões de motocicletas vendidas em 2025 (alta de 17,1% ante 2024) e previsão de 2,3 milhões em 2026.
  • Locadoras participaram do boom: mais de 70 mil motos emplacadas em 2024, elevando a frota para 140 mil; aluguel passou a ser caminho rápido para começar a trabalhar, sem entrada ou crédito rígido.
  • Renda da categoria aparece com números conflitantes: Ipea aponta queda de aproximadamente de R$ 2.250 para ~R$ 1.800, enquanto CBAP indica renda líquida mensal entre R$ 2.669 e R$ 3.581 até 2024, variando por região e jornada.
  • Jornadas mais longas: houve aumento dos entregadores que trabalham acima de 49 horas semanais e acima de 60 horas, com maior tempo conectado aos apps.
  • Riscos e custos para o entregador: acidentes e custos de manutenção recaem sobre o trabalhador; estudo aponta que 41,3% já sofreram acidente e jovens entre 20 e 39 anos são maioria entre as vítimas.

A crescente geração de empregos por meio de entregas por aplicativo tem atraído cada vez mais brasileiros, mesmo com renda instável e altos riscos. A facilidade de começar a trabalhar, aliada à promessa de renda rápida, sustenta o avanço do setor, segundo pesquisas recentes.

Entregadores atuam levando comida, remédios, documentos, compras e peças de reposição, em presença de chuva, calor e trânsito intenso. A importância do serviço se ampliou quando plataformas digitais passaram a ser referência para a demanda de consumo nas grandes cidades.

O aumento da oferta de motocicletas para locação contribuiu para acelerar a entrada no trabalho. Dados apontam recorde no varejo de motos em 2025 e forte expansão entre locadoras em 2024, com frota total atingando patamar de 140 mil unidades.

O que mudou

A locação de motos tem sido vista como atalho para começar sem entrada ou crédito pesado, segundo Geraldo Carneiro, da Byker. Ele afirma que o baixo custo, a agilidade e a alta demanda tornam a motocicleta uma porta de entrada rápida no mercado de entregas.

Ao mesmo tempo, o setor funciona em regime híbrido: muitos trabalhadores não possuem vínculo empregatício tradicional, mas também não estão inteiramente fora das estatísticas formais. Não há salário fixo, férias remuneradas ou renda previsível.

Renda e jornada

Estudos indicam que a renda média da categoria varia conforme região, jornada e tempo conectado aos apps. Um levantamento do Ipea aponta aumento de jornadas longas entre entregadores plataformizados, com mais que 49 horas semanais e casos acima de 60 horas.

O Ipea também destaca que o crescimento da atividade vem acompanhado de maior intensidade na rotina de trabalho, aumentando o tempo de exposição a trânsito e riscos. Em paralelo, o estudo do Ipea aponta que mais entregadores passaram a trabalhar, mesmo com jornadas prolongadas.

Riscos e custos

Dados da Ação da Cidadania indicam que 41,3% dos entregadores de alimentos por app já sofreram acidente no trabalho. Mais da metade atua todos os dias, com jornadas superiores a 10 horas diárias, sem folga.

Em 2024, internações de motociclistas no SUS superaram R$ 257 milhões, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. A entidade aponta que motociclistas têm 17 vezes mais chance de morrer em acidentes do que motoristas de carros.

Impacto humano

A vulnerabilidade econômica é destacada por trabalhadores que dependem da moto para sustento. Mesmo com acidentes, muitos optam por retornar ao trabalho, destacando a busca por mobilidade com custo relativamente baixo para manter a renda.

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