- EM&E vendeu 25,3 milhões de ações de Indra a 53 euros cada, totalizando aproximadamente 1,339 bilhão de euros, e saiu do capital; não houve colocação para novos acionistas e não houve comunicação de participação superior a 3%.
- As ações vendidas foram devolvidas ao mercado de empréstimo, com grandes gestoras como BlackRock, Capital Group e Vanguard mantendo participação por meio de empréstimo de ações; o banco JPMorgan devolveu as ações aos antigos donos.
- A operação foi financiada por um loan de JPMorgan garantido por 8% das ações e estruturada com um derivado, incluindo uma opção de venda (put) para limitar perdas e um teto de ganhos de 25%.
- A participação de EM&E em Indra era de 14,3% até o fim de 2024; Ángel Escribano tornou-se presidente da Indra há cerca de um ano e meio e renunciou em 1º de abril.
- As estimativas indicam que EM&E obteve ganhos próximos de 200 milhões de euros, frente a uma investimento inicial de cerca de 370 milhões, descontando custos de estruturação do derivado e do empréstimo.
Em Indra, 14,3% das ações pertencentes a EM&E não chegou a nenhum novo acionista. O bloco de 25,3 milhões de ações valia cerca de 1,339 bilhão de euros, segundo registros da CNMV, e retornou ao mercado de empréstimo. Grandes gestoras, como BlackRock, Capital Group e Vanguard, controlam aproximadamente 32% do capital da empresa.
A operação que envolveu EM&E e JPMorgan foi estruturada para financiar a compra de ações de Indra. O empréstimo de títulos, garantido por derivado, permitiu que a família Escribano elevasse sua participação sem colocar as ações à venda no mercado. JPMorgan atuou como organizador, financiador e, ao final, como depositário das ações devolvidas.
EM&E, controlada pelos irmãos Ángel e Javier Escribano, anunciou a compra inicial de 3,4% de Indra em maio de 2023. Ao longo de 2024, a participação subiu para 14,3%. Em maio de 2025, o grupo familiar deixou o capital, sem que surgisse um novo acionista relevante, conforme dados da CNMV.
Estrutura da transação e retorno ao mercado
A aquisição totalizou aproximadamente 370 milhões de euros, com a maior parte financiada por um empréstimo de JPMorgan. O empréstimo era lastreado por um derivado envolvendo terceiros acionistas, que depositaram títulos para criar a operação em três partes. O banco recebeu remuneração pela organização e pela execução, incluindo a recuperação das ações ao fim do acordo.
JPMorgan chegou a deter entre 15% e 17% de Indra no interim, conforme registros da CNMV, até EM&E desfazer a posição. A operação utilizou uma opção de proteção de queda, com compra de uma put associada ao preço de aquisição, além de limitar ganhos máximos a 25%, prática comum em grandes posições líquidas.
Governo, governança e impactos
Ángel Escribano tornou-se presidente de Indra há um ano e meio, substituindo Marc Murtra. A nomeação ocorreu após a escalada de EM&E na controlada estatal, o que gerou questionamentos de conflito de interesses, já que Ángel detém 50% da EM&E ao lado de Javier Escribano. A SEPI, acionista estatal de Indra, manifestou preocupações em março, mas Ángel Escribano acabou deixando a presidência em abril.
De acordo com a CNMV, EM&E informou a venda de 25,3 milhões de ações a 53 euros cada, totalizando 1,339 bilhão de euros, encerrando a participação de 14,3%. Não houve oferta pública de venda, e não houve comunicação de novos investidores interessados em controle superior a 3%.
Panorama financeiro e retorno aos proprietários
As ações devolvidas ao mercado de empréstimo não significaram, por si, nova colocação ao público. O retorno aos antigos proprietários, com a devolução de títulos, encerrou o papel de JPMorgan como detentor temporário. Economistas sugerem que, apesar do expressivo ganho de valor, a Escribano não capturou toda a valorização de Indra, que flutuou próximo de 300% desde a entrada inicial, dado o teto de ganhos do acordo com o banco.
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