- O A.C.Camargo Cancer Center lançou modelos de compartilhamento de risco para ampliar o acesso a terapias oncológicas de alto custo, desde 2022, com acordos que repartem o risco entre o centro, a indústria e a fonte pagadora.
- O modelo baseia-se em dados de vida real e critérios clínicos de resposta; em caso de falha terapêutica no período acordado, a farmacêutica reembolsa parte das unidades utilizadas e o valor correspondente é devolvido à fonte pagadora.
- A instituição já firmou acordos com Roche, Pfizer e Adium envolvendo câncer de pulmão, hepatocarcinoma, linfoma e mieloma múltiplo; hoje são seis contratos baseados em valor, com três formatos principais: risk sharing, teto de gastos e bonificação por performance.
- O objetivo é manter o acesso a tratamentos caros sem tornar o sistema financeiro insustentável, mediando a discussão entre custos, acesso e decisão clínica.
- Desafios para ampliar o modelo incluem interoperabilidade, regulação e mudanças no relacionamento entre seguradoras, prestadores e indústria; o modelo não resolve sozinho os problemas estruturais da saúde, mas pode aliviar a pressão sobre o sistema.
A.C.Camargo lança modelo de compartilhamento de risco para ampliar acesso a terapias oncológicas de alto custo. A iniciativa busca equilíbrio entre inovação clínica e sustentabilidade financeira do sistema de saúde suplementar.
O hospital iniciou, em 2022, acordos que dividem parte do risco financeiro entre o Cancer Center, a indústria farmacêutica e a fonte pagadora. O objetivo é viabilizar tratamentos com maior valor terapêutico quando há incerteza sobre a resposta clínica.
Desde então, o A.C.Camargo já firmou contratos com diferentes fármacos para câncer de pulmão de pequenas células, hepatocarcinoma, Linfoma Não Hodgkin e mieloma múltiplo. Em 2025, a Pfizer participou com devolução de parte das unidades em caso de falha no terceiro ciclo.
Em 2026, a Adium entrou no ecossistema com medicamento voltado a câncer de pulmão de não pequenas células. Hoje, o centro opera com seis acordos baseados em valor, incluindo modelos de risk sharing, teto de gastos e bonificação por performance.
Segundo a diretora médica do Escritório de Valor, as falhas foram registradas em apenas três casos, todos em pacientes com doenças avançadas. O cenário reflete o equilíbrio entre eficácia terapêutica e complexidade clínica.
O diretor comercial ressalta que a discussão sobre custos ganhou relevância pela pressão financeira da saúde suplementar, pela incorporação de tecnologias e pela mudança de comportamento dos pacientes após a pandemia. A ideia é mediar esse debate sem perder o foco clínico.
Para que os contratos funcionem, é necessário pactuar elegibilidade de pacientes, critérios de resposta, momento da avaliação e registro de dados. Cada acordo utiliza critérios clínicos definidos pela droga e pelo protocolo do centro.
Aline Chibana explica que a definição de falha envolve progressão da doença, toxicidade limitante ou óbito, e que a decisão clínica não é comprometida pelos acordos. Em caso de dúvida, a avaliação segue pelo Comitê de Avaliação de Tecnologias em Saúde.
Rafael Ielpo destaca que a função do A.C.Camargo é aproximar custo, acesso e valor ao paciente. O centro atua como mediador entre seguradoras, prestadores e indústria, reduzindo atritos históricos na cadeia.
Entre os desafios, estão interoperabilidade, regulação e questões jurídicas para ampliar a escala. Aline ressalta que acordos de valor aliviam a pressão, mas não resolvem sozinhos os problemas estruturais do sistema de saúde.
A iniciativa reforça que inovar na oncologia envolve garantir que terapias eficazes cheguem a quem precisa. Ao vincular pagamento a desfechos clínicos, o A.C.Camargo busca manter a sustentabilidade financeira sem comprometer o cuidado.
O objetivo é construir caminhos que mostrem como custo, acesso e resultado podem caminhar juntos. A instituição segue buscando transformar a relação entre pacientes, instituições e indústria para ampliar o acesso a tratamentos inovadores.
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