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A crise energética de Bangladesh revela promessas e limites da energia solar

Mesmo com déficit de gás e carvão, o setor solar de Bangladesh amortece quedas de energia, mas sua participação na matriz continua pequena e depende de políticas estáveis

Bangladesh’s largest solar power plant, Teesta Solar Limited, operates a 200 MW facility in Gaibandha, located within the Rangpur Division. The plant is situated on a land of around 263 hectares (650 acres) and officially commenced operation in August 2023. Image by Md Jahidul Islam.
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  • Em Bangladesh, 16 de 136 usinas e fontes de importação de energia são solares, com pelo menos 52 usinas a operar em plena capacidade suspensa por falta de gás e carvão.
  • No dia 9 de maio, a geração total foi de 312,620 MWh; a solar respondeu por 5,377 MWh, enquanto gás e carvão produziram 127,700 MWh e 105,400 MWh, respectivamente.
  • A participação da energia solar fica em torno de 777 MW na capacidade instalada total (2,7%), sendo que a fatia solar é ainda pequena, mas ajuda a evitar blackouts durante crises.
  • O Brasil aponta que, em maio de 2026, Bangladesh tem déficit de geração de 3.868 MW devido a restrições de gás, com mais 1.668 MW ausentes por indisponibilidade de usinas.
  • Na região de Rangpur, o solar já representa grande parte da geração diurna, com cerca de 84% da eletricidade gerada no dia pela solar na região.

O setor solar de Bangladesh ganha importância em meio a cortes de combustível, quedas de usinas e aumento de custos de importação de energia. Em pleno desafio de geração, a energia solar tem ajudado a manter parte da rede estável durante o dia.

Segundo a BPDB, 16 das 136 usinas e fontes de importação de energia são instalações solares. Ao mesmo tempo, pelo menos 52 usinas estão paralisadas por falta de gás e carvão. A crise elétrica vem afetando o ritmo de geração no país.

Dados da BPDB mostram que, em 9 de maio, Bangladesh gerou e importou 312.620 MWh de eletricidade. Deste total, a solaire contribuiu com 5.377 MWh, frente a 127.700 MWh de gás e 105.400 MWh de carvão.

Apesar de a capacidade instalada superar a demanda de pico, o país tem enfrentado déficits de geração. Restrições de combustível, manutenção e falhas técnicas reduziram a operação de plantas a gás e carvão, provocando racionamento intermitente.

Solar na região de Rangpur

A energia solar desempenha papel mais destacado no norte, especialmente na região de Rangpur, uma das mais pobres. Em Teesta Solar Limited, Gaibandha, há uma usina de 200 MW em operação desde agosto de 2023. A planta gera cerca de 1.000 a 1.200 MWh diários, dependendo da demanda.

Zakir, gerente de Teesta Solar, afirmou que a usina injeta energia sem combustíveis adicionais e atende ao grid público. A empresa comercializa eletricidade pela rede a aproximadamente 12 taka por kWh. Dados da BPDB indicam que a solar responde por cerca de 84% da geração diurna na região de Rangpur.

Ghorashal: maior planta a gás suspensa

A usina de Ghorashal, próxima a Dhaka, está totalmente paralisada por falta de gás. Com sete unidades e cerca de 1.200 MW de capacidade, a paralisação foi anunciada pela gestão da planta. Atrasos no abastecimento impedem produção e prejudicam a operação de milhares de funcionários.

Especialistas apontam que, durante crises, a energia solar funciona como amortecedor, mas não substitui a geração base. A BPDB registrou defasagens de geração de 3.868 MW por gás e 1.668 MW por manutenções, contribuindo para o descompasso entre oferta e demanda.

Participação de renováveis e caminhos futuros

Estudos da IEEFA indicam que as fontes renováveis respondem por apenas 2,3% da matriz energética de Bangladesh, abaixo da média global de cerca de 33,8%. O levantamento sugere benefícios econômicos, como a redução de importações com energia solar distribuída.

O relatório recomenda medidas de política para ampliar a capacidade solar, incluindo incentivos para instalações residenciais e municipais, e projetos distribuídos. A instituição também aponta que a produção de gás doméstico em declínio eleva a necessidade de importar LNG.

Força motriz do governo na transição

Desde o início da guerra na Ucrânia, Bangladesh tem ampliado planos de energia renovável, com foco em projetos solares em prédios públicos e comunidades. O governo pretende elevar a capacidade com metas de curto prazo, embora o andamento tenha sido mais lento que o esperado.

O ministro de energia afirmou que o objetivo é gerar 5.000 MW de eletricidade por solar nos próximos cinco anos. Uma iniciativa aponta para instalação de painéis solares em todos os escritórios do governo de segundo nível (deputy commissioners) nos próximos três meses.

Banner: imagem de Teesta Solar Limited, com 200 MW, em Gaibandha.

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