- Jihadistas queimaram dezenas de veículos, entre tanques de combustível, micro-ônibus e caminhões, em estradas próximas à Bamako, após intensificarem o bloqueio à capital.
- Os vídeos, verificados pela BBC, mostram os destroços a cerca de 45 km a oeste de Bamako; não houve relatos de vítimas.
- O grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à al-Qaeda, impôs o bloqueio de combustível a Bamako no ano passado, que foi endurecido após um ataque à cidade no mês passado.
- Mali depende fortemente de combustível importado de países vizinhos, como Senegal e Costa do Marfim, para abastecimento e transportes.
- A junta militar, liderada pelo general Assimi Goïta, enfrenta ataques contínuos e tem buscado conter a insurgência, com ataques a comboios de combustível já ocorrendo anteriormente.
Dozens of veículos foram incendiados nesta semana em estradas próximas a Bamako, capital do Mali, em meio a um bloqueio imposto por jihadistas. A BBC confirmou a ocorrência após analisar vídeos de motoristas que passavam pelo local. O fogo atingiu caminhões, minivans e tanques de combustível, em uma rodovia cerca de 45 km a oeste de Bamako.
Segundo as imagens verificadas, as vítimas teriam sido instruídas a desembarcar antes de os veículos serem incendiados. Não há relatos de feridos até o momento. Autoridades locais ainda não se manifestaram sobre o ocorrido.
O bloqueio de combustível é promovido pelo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), grupo afiliado à Al-Qaeda. O movimento ganhou força após um ataque à cidade no mês passado, ampliando a pressão econômica sobre o Mali.
A situação econômica do Mali depende fortemente do combustível importado de países vizinhos, como Senegal e Costa do Marfim. Acrescenta-se ao contexto a dificuldade de circulação de bens devido aos confrontos armados.
JNIM já sequestrou condutores e incendiou mais de 100 caminhões-tanque desde o ano passado. Alguns comboios conseguiram chegar a Bamako sob escolta militar, enquanto outros foram dispersos ou retidos.
Aproximação estratégica e resposta do governo
O governo de Bamako, liderado pelo general Assimi Goïta, acompanha a escalada desde 2020, quando o regime tomou o poder. Em janeiro, o General Famouké Camara foi nomeado para chefiar operação especial contra o bloqueio de combustível.
Antes do ataque recente, a crise de abastecimento parecia amenizar em parte, segundo autoridades, mas a cadeia de abastecimento continua vulnerável. Analistas argumentam que a ofensiva visa enfraquecer a legitimidade da junta no poder.
Na prática, o Mali enfrenta há anos um conflito armado regional, com várias frentes insurgentes. O bloqueio de combustível agrava a pressão sobre serviços públicos, infraestrutura e economia.
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