- A Morningstar aponta que ações de fabricantes de hardware ligados à infraestrutura de IA subiram, em média, cerca de 90% neste ano, enquanto empresas de software registraram quedas de até 40%.
- Entre os destaques, Sandisk subiu cerca de 511,4%, e Intel mais de 225%; em média, hardware avançou 92,5% e semicondutores cerca de 76,6%.
- O fenômeno é visto como um fosso gerado pela IA entre infraestrutura (chips, memória, servidores) e software, pressionando modelos de negócios baseados em software, incluindo SaaS.
- Analistas e gestores, como James Anderson e Morgan Stanley, apontam que trilhões de dólares serão investidos em data centers para IA, transferindo valor para fornecedores de hardware como Nvidia, TSMC e ASML.
- Apesar da pressão, há sinais de que o software não está morto: empresas capazes de integrar IA de forma nativa, como a Microsoft, ainda apresentam desempenho e perspectivas positivas, exigindo reposicionamento estratégico.
O avanço da inteligência artificial está redesenhando o mapa do setor de tecnologia. Levantamentos mostram que ações de hardware voltadas à infraestrutura de IA sobem forte, enquanto empresas de software registram quedas expressivas, ampliando o fosso entre os dois lados da cadeia.
Dados da Morningstar indicam que, neste ano, as ações de fabricantes de semicondutores e memória subiram em média 90%. Em contrapartida, companhias de software enfrentam recuo de até 40%, refletindo a erosão de margens e de valor agregado.
A avaliação aponta que o gargalo é estrutural: a IA gera demanda massiva por processamento, memória e armazenamento, com oferta relativamente lenta para suprir esse crescimento. O resultado é a migração de valor para a base física da tecnologia.
Segundo analistas, o fenômeno desloca o foco do investimento para chips, servidores e módulos de memória, em detrimento de camadas de software que antes lideravam o mercado. As empresas de SaaS sofrem a pressão de um ambiente que privilegia a infraestrutura.
Entre os nomes no topo, destacam-se as empresas de hardware, como Sandisk e Intel, que registraram valorização expressiva. Em média, ações de hardware avançaram cerca de 92,5% no período analisado, com os semicondutores crescendo 76,6%.
Por outro lado, as 10% ações com pior desempenho no setor de tecnologia pertencem principalmente ao software, com quedas que chegam a quase 50% entre nomes como HubSpot desde o início de 2026.
O que muda para o software
Especialistas dizem que a geração de IA reduz barreiras de entrada para diversas categorias de software, pressionando diferenciais anteriores. Modelos generativos passam a integrar sistemas operacionais e plataformas em nuvem, alterando a vantagem competitiva.
Além disso, o modelo SaaS perde parte da atratividade, pois a IA pode executar tarefas antes distribuídas entre várias assinaturas. A necessidade de adaptação tecnológica eleva custos de computação e engenharia, comprimindo margens históricas do setor.
Ainda assim, há sinais de que a sanha pela IA pode ter ido longe demais na penalização. A Microsoft, com recuo de cerca de 15% no ano, superou expectativas de receita impulsionada por IA, sugerindo que software integrado pode manter relevância.
Analistas destacam que a indústria não está apenas em decadência, mas em transição. O desafio é reposicionar empresas de software e desenhar novos modelos de monetização para a era da IA.
Para investidores, o recado é ser mais seletivo. Identificar companhias que consigam reinventar seus modelos antes que a nova lógica de mercado se consolide é visto como crucial para navegar o ciclo atual.
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