- A Polícia Civil de São Paulo prendeu seis investigados na operação Vérnix, entre eles a advogada Deolane Bezerra Santos e o líder do PCC, Marco Camacho, o Marcola. A prisão de Deolane ocorreu às 6h desta quinta-feira, na residência dela, no condomínio Tamboré.
- A investigação aponta que o uso de fintechs fez o volume de movimentações do grupo aumentar consideravelmente, com mais de 140 milhões em créditos e débitos entre 2018 e 2021, e mais de 30 milhões oriundos de empresas de meios de pagamento entre 2022 e 2024.
- Foram identificadas cinco empresas ligadas a Deolane como sócias, com um contador em comum, Eduardo Affonso Rodrigues, e operações que incluíram transferências superiores a 5,7 milhões para a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda.
- Além de depósitos fracionados inferiores a dez mil reais, a Polícia apura uso de laranjas para movimentar recursos, além da aquisição de bens de alto valor, como um Land Rover, um Porsche e um terreno em Tamboré.
- A Justiça incluiu na investigação outras pessoas, com pedidos de difusão vermelha da Interpol para Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; a ação envolve cinco empresas adicionais associadas à advogada.
A Polícia Civil de São Paulo identificou em investigação envolvendo a defesa da influenciadora Deolane Bezerra Santos um uso intenso de fintechs para movimentar recursos ligados ao PCC. A conclusão consta na representação enviada à Justiça para decretar a prisão de suspeitos, entre eles Deolane e o líder da facção, Marco Camacho, o Marcola.
A ação, batizada de Vérnix, ocorreu nesta quinta-feira (21) pela manhã. Deolane foi presa em sua residência, no condomínio Tamboré, na Grande São Paulo, após viagem a Roma. Também foram cumpridas prisões de cinco investigados, incluindo o chefe da facção, já custodiado em Brasília.
A apuração analisa o período de 9 de julho de 2022 a 9 de maio de 2024, comparando com dados de 2018 a 2022. A polícia aponta um salto exponencial nas movimentações, com entrada de mais de R$ 30 milhões via empresas de meios de pagamento e fintechs.
Padrões de fracionamento
O cruzamento de dados apontou fracionamento, pulverização e circularidade de valores, com empresas ligadas ao grupo. Entre elas destaca-se a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, ligada a Deolane. Movimentações somam mais de R$ 5,7 milhões para a empresa citada.
Laudo pericial aponta malha financeira estruturada em torno de Deolane, envolvendo pessoas físicas e jurídicas. Relatório indica movimentação global superior a R$ 140 milhões em créditos e débitos, envolvendo ao menos cinco empresas com participação da advogada.
A investigação apura ainda uso de laranjas para operações de alto valor. Débitos fracionados em espécies, inferiores a R$ 10 mil, somam R$ 1,067 milhão entre 2018 e 2021. Desenho aponta vínculos com o operador da transportadora ligada ao PCC.
Ambiente financeiro e desdobramentos
Polícia afirma que fintechs e meios de pagamento digitais foram empregados para facilitar o crime, demandando atuação integrada de órgãos de fiscalização. O inquérito aponta depoimentos e registros que reforçam o elo entre as contas de Deolane e atividades do grupo.
A Justiça também incluiu no acervo dados que ligam a parentes de Deolane às movimentações, além de endereços de empresas usados como fachada. A investigação continua para esclarecer a participação de outras pessoas e empresas ligadas ao caso Vérnix.
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