- Casos de recuperação judicial de Estrela e Xalingo apontam para a competição com entretenimento digital como fator de risco para a indústria de brinquedos.
- Estrela citou a digitalização entre as razões de reestruturação financeira, com aumento do custo de capital, crédito mais restrito e mudanças no comportamento de consumo.
- Especialistas destacam que crianças passam mais tempo com mídias digitais, mas veem o caminho não como substituição total, defendendo equilíbrio entre digital e brinquedos físicos.
- A Abrinq indica estagnação do mercado no Brasil após a pandemia, com faturamento anual próximo de R$ cinco bilhões desde 2021, mas projeta lançamentos recordes de novos produtos.
- O setor tem buscado modelos híbridos, com exemplos de Lego, Barbie e Ri Happy integrando experiências digitais e físicas para manter o brincar como prática relevante.
Aumento do entretenimento digital afeta o setor de brinquedos físicos. Estrela e Xalingo citaram a competição com alternativas digitais entre os motivos para pedir recuperação judicial, sinalizando risco para o segmento e necessidade de atuação ampla. Especialistas ressaltam que o tema exige monitoramento de novas demandas.
A Estrela protocolou o pedido de recuperação judicial na quarta-feira, 20, na comarca de Três Pontas (MG). A empresa afirmou em fato relevante à CVM que a reestruturação financeira é necessária diante de custos de capital, crédito restrito e mudanças no comportamento de consumo, com maior competição de plataformas digitais. A companhia completa 89 anos em breve.
Segundo Priscila Mendes, pesquisadora da UFRB, a interação das crianças com o digital mudou consideravelmente, influenciando a demanda por brinquedos tradicionais. Ela aponta que o cenário não é um caminho sem volta, desde que haja equilíbrio entre experiências digitais e o brincar físico.
A Xalingo, também da lista de recuperações, citou a concorrência com conteúdos digitais entre as razões para buscar ajuste financeiro. Analistas indicam que o setor precisa acompanhar as transformações para evitar impactos mais amplos na operação e no desenvolvimento de produto.
Panorama do mercado
Dados da Abrinq mostram leve retração do faturamento do setor no Brasil após a pandemia, com o mercado registrando quedas próximas de 5% entre 2021 e 2025. Ainda assim, há expectativa de lançamentos recordes de produtos no país, mantendo o otimismo sobre o desempenho futuro.
Synésio da Costa, presidente da Abrinq, aponta que o avanço digital altera o comportamento de consumo, mas não encerra o papel do brinquedo tradicional. Segundo ele, as fábricas vêm buscando velocidade e adaptação para atender às novas demandas sem abandonar o brincar físico.
Patrícia Cotti, pesquisadora do Ibevar, destaca que a digitalização impõe transformação do varejo e dos modelos de produto. Ela recomenda adoção de formatos híbridos que combinem entretenimento digital e experiência física para sustentar o mercado.
Ri Happy, rede com quase 300 lojas, informou ao Estadão planos de ampliar a interação com o público por meio de iniciativas digitais. O CEO Thiago Rebello ressaltou que as lojas devem continuar como espaços de convivência, equipadas com brinquedotecas e atividades que complementem a compra com lazer presencial.
Entre na conversa da comunidade