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Ilhas do Pacífico, de Fiji à Polinésia, vulneráveis à crise do petróleo

A dependência de petróleo importado faz ilhas do Pacífico enfrentar inflação elevada, menor crescimento e custo maior de bens e transporte

A port in the Cook islands, which is among the Pacific countries vulnerable to the oil crisis caused by the war in the Middle East.
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  • O Pacífico depende fortemente de petróleo importado, o que deve frear o crescimento econômico e elevar a inflação devido ao choque global de preços.
  • Em Fiji, o combustível ficou mais caro do que o usual: o gasto típico subiu de cerca de $40 para $100, com um tanque de 60 litros mal pela metade.
  • Em 2024, pelo menos oito países da região geraram mais da metade da eletricidade com derivados de petróleo, com mais de 90% em Solomon Islands e acima de 80% em Tonga e Nauru.
  • Governação e ajuda internacional já atuam: Fiji aprovou cortes salariais de 20% dos membros do parlamento; Austrália anunciou 30 milhões de dólares para Fiji, incluindo um hub de suprimento e armazenamento.
  • A dependência de poucos fornecedores internacionais aumenta a vulnerabilidade; muitos países miram 2030 para 100% de energia renovável, mas poucos já alcançaram esse objetivo (Tokelau entre eles).

Desde Fiji até a Polinésia Francesa, as ilhas do Pacífico são particularmente sensíveis à crise do petróleo. A dependência de importação de combustíveis ameaça o crescimento econômico e eleva a inflação na região.

Em Fiji, o aumento repentino do preço da gasolina ficou evidente em maio. Um motorista relatou que o valor no posto subiu rapidamente, deixando o tanque de 60 litros quase pela metade com um gasto de cerca de 100 dólares, bem acima do usual de 40 dólares.

A crise energética mundial é alimentada pelo conflito no Oriente Médio, mas seus impactos atingem de forma direta os países insulares. Dados indicam que o Pacífico depende fortemente de importação de petróleo para transporte, eletricidade e alimentação, elevando custos de bens e serviços.

Especialistas destacam dois motivos para o impacto acentuado na região: o isolamento geográfico e o pequeno tamanho de suas populações. Em 2023, o petróleo respondia por mais de 80% da matriz energética regional, boa parte para transportes e geração de energia.

Para várias nações do Pacífico, a eletricidade obtida a partir de petróleo representou, em 2024, mais de metade da geração em pelo menos oito países. Em contraste, Austrália e Nova Zelândia dependem muito menos do combustível fóssil para a energia.

Melas e dados da ONU mostram que, em média, o petróleo foi responsável por uma parcela relevante das importações em 2019, enquanto alimentos e itens básicos também são fortemente importados. Entre 2021 e 2023, alimentos superaram 20% das importações líquidas em Samoa e Tonga, e chegaram a quase 30% em Kiribati.

Vários governos já agem para reduzir impactos. Em Fiji, a crise fez o parlamento aprovar um corte de 20% nos salários dos membros para conter o impacto no orçamento. Outros países elevaram preços de combustíveis, ao mesmo tempo em que oferecem alívios para negócios e residentes.

O governo australiano anunciou cerca de 30 milhões de dólares em apoio a Fiji, incluindo um centro de abastecimento e armazenamento na região. O primeiro-ministro fidliano, Sitiveni Rabuka, afirmou que a medida ajudará o orçamento nacional diante de novos aumentos previstos no mês.

Análises indicam que boa parte do combustível consumido no Pacífico vem de poucos países fornecedores, como Cingapura, Malásia, Coreia do Sul e China. Caso algum fornecedor priorize o mercado interno, o risco de desabastecimento aumenta para as ilhas.

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