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Inflação dos mais pobres é quase quádrupla dos mais ricos em abril

Inflação de famílias com renda muito baixa atinge 0,92% em abril, quase quatro vezes a de renda alta, puxada por alimentos, energia e remédios

Pessoa vestindo camiseta vermelha e calça preta empurra carrinho de compras em corredor de supermercado. Prateleiras exibem diversos pacotes de biscoitos e salgadinhos.
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  • Inflação de famílias com renda muito baixa ficou em 0,92% em abril, enquanto a de renda alta foi de 0,24%.
  • O grupo mais pobre teve a inflação mais alta entre as seis faixas de renda e cresceu em relação a março (0,85% em março).
  • Alimentos, energia elétrica e produtos farmacêuticos explicaram o avanço entre os mais pobres.
  • Pesos de preços: combustíveis subiram 1,8%, mas tarifas de ônibus caíram 1,13%, transporte por aplicativo caiu 2,17% e passagens aéreas recuaram 14,45%, ajudando as demais famílias, principalmente as de renda maior.
  • No acumulado de janeiro a abril, a inflação foi 2,66% para renda baixa e 2,44% para renda alta; nos últimos 12 meses, renda alta teve 4,95% e renda muito baixa, 3,83%.

A inflação das famílias com renda muito baixa acelerou para 0,92% em abril, puxada por alimentos, medicamentos e energia elétrica. Entre as famílias de renda alta, a taxa ficou em 0,24%. O levantamento é do Ipea e usa dados do IPCA, índice oficial do IBGE.

O índice dos mais pobres foi o maior entre as seis faixas de renda pesquisadas e avançou em relação a março, quando ficou em 0,85%. Já a inflação da renda alta desacelerou após o mesmo patamar no mês anterior.

Segundo o Ipea, os pesos de bens variam conforme a renda, pois as cestas são adaptadas a diferentes padrões de consumo. Alimentos voltaram a pressionar, com alta de 1,64% em abril, mas menor do que em março.

Fatores que pesam nos mais pobres

Além dos alimentos, a energia elétrica subiu 0,72% e os produtos farmacêuticos tiveram alta de 1,77%, impactando a cesta das famílias de renda muito baixa.

Para as demais faixas, houve alívio com alta menos pronunciada de combustíveis (1,8%), e quedas de ônibus urbano (-1,13%), transporte por aplicativo (-2,17%) e passagens aéreas (-14,45%).

Maria Andreia Lameiras, pesquisadora do Ipea, aponta que a inflação de alimentos ainda é significativa para os mais pobres, mas tende a perder força conforme a faixa de renda avança. Ela também destaca que a renda alta se beneficia de transportes mais baratos.

Cenário acumulado e perspectivas

No acumulado de janeiro a abril, a inflação varia: 2,66% para renda baixa e 2,44% para renda alta. Em 12 meses, a inflação da renda alta é de 4,95%, enquanto a renda muito baixa fica em 3,83%.

A pesquisadora aponta que os alimentos podem apresentar menor pressão nos meses seguintes, influenciados por sazonalidade da oferta. Também há expectativa de desaceleração de serviços, beneficiando as faixas mais altas.

Fonte: Ipea.

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