- Solange Srour, diretora de macroeconomia do UBS Global Wealth Management, afirma que riscos inflacionários globais e domésticos aumentam e o Banco Central pode pausar o corte de 0,25 ponto porcentual após a próxima reunião do Copom.
- Ela ressalta que, no campo fiscal, há uma herança “muito pior” para quem vencer a eleição presidencial e teme expansão de bondades pelo Executivo e pelo Congresso.
- A economista destaca que a inércia de 2026 deve pesar sobre 2027, elevando a inflação prevista e tornando difícil a redução do juro real sem mudança de regime e credibilidade.
- No cenário brasileiro, diz que o país não perde brilho entre investidores, mas a eleição acrescenta volatilidade e pode afetar fluxos por causa de incerteza sobre políticas públicas e juros.
- Sobre o ajuste fiscal, aponta que o próximo governo enfrentará um desafio maior para estabilizar a dívida em um ambiente de juros globais mais altos e maior credibilidade fiscal.
Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, afirma que riscos inflacionários globais e domésticos aumentam. Ela avalia que o Banco Central pode adotar cautela após um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, abrindo espaço para pausar e observar a evolução do cenário. No campo fiscal, a analista antecipa uma herança fiscal mais pesada para quem vencer as eleições e teme uma ampliação da agenda de benefícios.
A economista destaca que a inércia de 2026 tende a pesar sobre 2027, horizon relevante para a política monetária. Segundo ela, qualquer governo já enfrentará inflação maior do que a prevista, em meio a juros globais mais altos, o que dificulta a trajetória de queda do juro real sem mudanças de regime e credibilidade.
Contexto de mercado e inflação
A pressão no mercado internacional subiu, com alta recente dos juros globais. Mesmo com otimismo com IA, a inflação preocupa por fatores como guerra prolongada e carga fiscal. Nos EUA, há discussões sobre tarifas e subsídios, com gastos potencialmente maiores. A perspectiva de mudanças políticas no Reino Unido e inflação elevada no Japão também influenciam.
A autora não vê mudança estrutural no fluxo de capitais. Em emergentes, o Brasil pode perder espaço diante de eleições próximas, mas mercados como Taiwan e Coreia do Sul seguem atraindo fluxo por IA. A diversificação por localidade e moeda permanece relevante no médio e longo prazo.
Brasil: cenário para política monetária
Sobre o Brasil, a leitura é de incerteza. O Copom tende a cortar 25 pontos-base na próxima reunião, a menos que surjam novidades. Depois, pode haver sinal para pausar. A avaliação é de que o BC parece confortável com o nível atual de restrição, face à inflação que sobe.
Se a guerra se prolongar, Srour aponta para a necessidade de pausa na política. A inflação, segundo ela, pode exigir atenção às expectativas de curto prazo, com o BC mantendo a guarda para evitar pressões adicionais.
Fatores que podem alterar a posição do BC
As expectativas de inflação de prazo mais longo concentram-se como principal preocupação do BC. A crise fiscal de 2028 começa a aparecer, e 2027 pode exigir ajustes maiores. A visão é de que quedas de commodities por demanda fraca teriam efeito de segunda ordem, não necessariamente baixistas.
A analista ressalta que a inércia de 2026 afeta 2027. Sem mudança de regime, o legado inflacionário pode permanecer, dificultando a caída do juro real.
Cenário eleitoral e impacto no preço
A eleição já influencia a volatilidade. A incerteza é alta, com a popularidade do governo oscilando conforme medidas anunciadas. O mercado tende a ficar mais volátil à medida que o pleito se aproxima.
A possibilidade de aumento de bondades públicas é destacada como tendência. Mudanças no Simples e no MEI são citadas como pautas de impacto fiscal que podem avançar, com efeitos duradouros sobre a arrecadação e produtividade.
Desafios fiscais para 2027
A projeção aponta que o ajuste fiscal em 2027 é inevitável. Expansionismo de fim de 2026 eleva a dívida em relação ao PIB, e juros globais mais altos dificultam a estabilização. Um choque de confiança pode abrir espaço para queda do juro real, se houver credibilidade suficiente.
A solução de redução da dívida, segundo a analista, depende de medidas de credibilidade e de reformas profundas. Sem mudança de regime, o legado de 2026 pressiona o cenário fiscal e as perspectivas para o longo prazo.
Entre na conversa da comunidade