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Riscos sobem e BC pode pausar corte de juros após junho, diz Solange Srour

Riscos inflacionários sobem e o BC pode pausar o corte de 0,25 ponto após junho, ante incerteza fiscal e eleição que pode ampliar a lista de bondades

'A inércia de 2026 pesa muito para 2027: qualquer governo vai carregar inflação contratada de 2026 maior do que imaginávamos no início do ano', diz Solange Sour
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  • Solange Srour, diretora de macroeconomia do UBS Global Wealth Management, afirma que riscos inflacionários globais e domésticos aumentam e o Banco Central pode pausar o corte de 0,25 ponto porcentual após a próxima reunião do Copom.
  • Ela ressalta que, no campo fiscal, há uma herança “muito pior” para quem vencer a eleição presidencial e teme expansão de bondades pelo Executivo e pelo Congresso.
  • A economista destaca que a inércia de 2026 deve pesar sobre 2027, elevando a inflação prevista e tornando difícil a redução do juro real sem mudança de regime e credibilidade.
  • No cenário brasileiro, diz que o país não perde brilho entre investidores, mas a eleição acrescenta volatilidade e pode afetar fluxos por causa de incerteza sobre políticas públicas e juros.
  • Sobre o ajuste fiscal, aponta que o próximo governo enfrentará um desafio maior para estabilizar a dívida em um ambiente de juros globais mais altos e maior credibilidade fiscal.

Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, afirma que riscos inflacionários globais e domésticos aumentam. Ela avalia que o Banco Central pode adotar cautela após um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, abrindo espaço para pausar e observar a evolução do cenário. No campo fiscal, a analista antecipa uma herança fiscal mais pesada para quem vencer as eleições e teme uma ampliação da agenda de benefícios.

A economista destaca que a inércia de 2026 tende a pesar sobre 2027, horizon relevante para a política monetária. Segundo ela, qualquer governo já enfrentará inflação maior do que a prevista, em meio a juros globais mais altos, o que dificulta a trajetória de queda do juro real sem mudanças de regime e credibilidade.

Contexto de mercado e inflação

A pressão no mercado internacional subiu, com alta recente dos juros globais. Mesmo com otimismo com IA, a inflação preocupa por fatores como guerra prolongada e carga fiscal. Nos EUA, há discussões sobre tarifas e subsídios, com gastos potencialmente maiores. A perspectiva de mudanças políticas no Reino Unido e inflação elevada no Japão também influenciam.

A autora não vê mudança estrutural no fluxo de capitais. Em emergentes, o Brasil pode perder espaço diante de eleições próximas, mas mercados como Taiwan e Coreia do Sul seguem atraindo fluxo por IA. A diversificação por localidade e moeda permanece relevante no médio e longo prazo.

Brasil: cenário para política monetária

Sobre o Brasil, a leitura é de incerteza. O Copom tende a cortar 25 pontos-base na próxima reunião, a menos que surjam novidades. Depois, pode haver sinal para pausar. A avaliação é de que o BC parece confortável com o nível atual de restrição, face à inflação que sobe.

Se a guerra se prolongar, Srour aponta para a necessidade de pausa na política. A inflação, segundo ela, pode exigir atenção às expectativas de curto prazo, com o BC mantendo a guarda para evitar pressões adicionais.

Fatores que podem alterar a posição do BC

As expectativas de inflação de prazo mais longo concentram-se como principal preocupação do BC. A crise fiscal de 2028 começa a aparecer, e 2027 pode exigir ajustes maiores. A visão é de que quedas de commodities por demanda fraca teriam efeito de segunda ordem, não necessariamente baixistas.

A analista ressalta que a inércia de 2026 afeta 2027. Sem mudança de regime, o legado inflacionário pode permanecer, dificultando a caída do juro real.

Cenário eleitoral e impacto no preço

A eleição já influencia a volatilidade. A incerteza é alta, com a popularidade do governo oscilando conforme medidas anunciadas. O mercado tende a ficar mais volátil à medida que o pleito se aproxima.

A possibilidade de aumento de bondades públicas é destacada como tendência. Mudanças no Simples e no MEI são citadas como pautas de impacto fiscal que podem avançar, com efeitos duradouros sobre a arrecadação e produtividade.

Desafios fiscais para 2027

A projeção aponta que o ajuste fiscal em 2027 é inevitável. Expansionismo de fim de 2026 eleva a dívida em relação ao PIB, e juros globais mais altos dificultam a estabilização. Um choque de confiança pode abrir espaço para queda do juro real, se houver credibilidade suficiente.

A solução de redução da dívida, segundo a analista, depende de medidas de credibilidade e de reformas profundas. Sem mudança de regime, o legado de 2026 pressiona o cenário fiscal e as perspectivas para o longo prazo.

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