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Transição energética requer avanços além da tecnologia, diz CEO da EDP

CEO de Inovação da EDP afirma que não existe bala de prata para a transição; avanço depende de automação, IA e novos modelos de financiamento para escalar tecnologias já existentes

CEO de inovação da EDP global, Antônio Coutinho: “A energia sempre foi poder, soberania e risco” (Divulgação)
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  • Antônio Coutinho, CEO de inovação da EDP global, afirma que não existe “bala de prata” para a transição e que a transformação em escala depende de automação, IA, novos modelos de financiamento e modernização das redes elétricas.
  • A transição energética nos próximos vinte e cinco anos envolve redes, eletrificação da mobilidade e do calor, além de expansão de fontes renováveis e de sistemas de armazenamento.
  • No Brasil, a EDP vê o país como laboratório de inovação, com projetos como Robotic Grids e Spotlite, e, globalmente, AutoPV e Scale Up O&M.
  • O executivo destaca a bateria hídrica como a maior do mundo, com bombeamento de água para armazenar energia, além de armazenamento térmico e uso futuro de veículos elétricos como reservatórios móveis.
  • Em termos geopolíticos, a transição é também sobre segurança e soberania energética; China é destaque na liderança, enquanto o Brasil tem potencial em minerais críticos, com chamada para avançar no processamento.

Antônio Coutinho, CEO de inovação da EDP global, afirma que não existe bala de prata para acelerar a transição energética. Em entrevista à EXAME durante o São Paulo Innovation Week, ele explicou que a transformação em escala depende de automação, IA, novos modelos de financiamento e da modernização de redes elétricas.

A EDP atua globalmente em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, com projetos de inovação para acelerar a transformação. Coutinho aposta em infraestrutura energética redesenhada ao longo de 25 anos para avançar além dos 70% a 80% já alcançados hoje.

A próxima fase da transição, segundo o executivo, passa por integrar tecnologias já existentes em vez de buscar soluções únicas, combinando IA para gestão de redes complexas, novos formatos de financiamento e melhoria de regulações. A ideia é escalar o que já funciona.

IA, automação e novos modelos de negócio

No Brasil, a companhia testa projetos como Robotic Grids, que usa robótica para aumentar segurança, eficiência e confiabilidade em redes, e Spotlite, plataforma de gestão da vegetação em linhas de transmissão. Globalmente, investe em AutoPV e Scale Up O&M para otimizar construção de parques solares e a manutenção de usinas.

Segundo Coutinho, o Brasil funciona como laboratório para soluções que podem ser exportadas. A automação também é vista como ferramenta para ampliar a participação feminina no setor, reduzindo a dependência de força física.

A maior bateria do mundo

O CEO destacou que o armazenamento de energia não se resume a baterias de lítio. A energia hídrica armazenada em grandes sistemas de bombeamento é apontada como a maior bateria existente, especialmente para absorver picos de demanda. Diversas soluções incluem armazenamento térmico e o uso futuro de veículos elétricos como reservas móveis.

Energia, soberania e geopolítica

Coutinho ainda contextualizou a transição energética no âmbito geopolítico, destacando que a energia envolve poder, soberania e risco. A China é apontada como exemplo de liderança ao alinhar eletrificação e tecnologias limpas à soberania nacional. O Brasil tem potencial para fortalecer sua cadeia de minerais críticos.

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