- Estudo da Amcham aponta que biodiversidade é relevante para apenas 8% das empresas brasileiras.
- Soluções baseadas na natureza podem responder por até 30% das reduções de emissões até 2050.
- Brasil pretende liderar a bioeconomia, mas o setor privado ainda foca principalmente em emissões de CO₂ na agenda ESG.
- Regulatórias e padrões internacionais passam a incorporar riscos de natureza, com TNFD ganhando espaço e a CVM alinhando normas ao IFRS e ao ISSB.
- Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia recebe R$ 350 milhões; o polo de financiamento é ampliado pelo Ecoinvest, que já mobilizou R$ 179 bilhões desde 2023.
A biodiversidade ainda ocupa espaço limitado na estratégia das empresas brasileiras, mesmo com o Brasil buscando liderar a bioeconomia. Segundo estudo da Amcham, apenas 8% das companhias consideram a biodiversidade relevante para seus negócios, atrás de inovação, governança, tecnologia e gestão de resíduos.
Neste Dia Mundial da Biodiversidade, em 22 de maio, o país abriga cerca de 15% da biodiversidade global e pressiona para que a natureza vire vetor econômico. Investidores, regulações e mercado internacional já tratam a natureza como parte da pauta financeira.
A diretora de Natureza e Sociedade do CEBDS afirma que não é mais aceitável limitar impactos apenas ao carbono. Clima e natureza são apresentadas como dois lados da mesma moeda, em meio a métricas globais e demanda por mensuração de impactos locais.
Do movimento à prática econômica
A agenda climática ganhou força com metas de descarbonização, mas a biodiversidade segue menos mensurada, por depender de fatores locais. A TNFD surge como referência para divulgação de riscos relacionados à natureza.
No Brasil, a CVM passa a adotar normas internacionais de reporte alinhadas ao IFRS e ao ISSB, incorporando riscos climáticos e ligados à natureza. Isso aumenta a integração entre finanças e meio ambiente nas empresas.
Estudos indicam que soluções baseadas na natureza podem responder por até 30% das reduções de emissões até 2050, ampliando mercados de restauração, bioinsumos e créditos de carbono. A biodiversidade passa a ser estimulada como motor econômico.
Financiamento e instrumentos
O governo lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) com aporte de R$ 350 milhões, visando transformar biodiversidade em vetor de desenvolvimento e atração de investimentos. O Ecoinvest é a aposta em blended finance ligada ao Plano de Transformação Ecológica.
O quarto leilão do Ecoinvest priorizou projetos de bioeconomia e turismo sustentável na Amazônia, combinando recursos públicos, privados e capital internacional. Desde 2023, o programa mobilizou mais de R$ 179 bilhões para projetos verdes.
O desafio permanece: converter o discurso em prática econômica. Para o CEBDs, a transformação depende de convicção, conformidade e competitividade, com parte das empresas avançando por propósito, outras por regulamentos e mais pela movimentação de mercado.
Perspectivas
A tendência é que a biodiversidade ganhe espaço crescente na estratégia, no financiamento e na competitividade das empresas, não apenas como pauta ambiental, mas como componente essencial de planejamento corporativo.
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