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Conflito leva agricultores a usar esterco e urina como fertilizantes

Com a ureia em alta por causa da guerra, agricultores recorrem a esterco, urina humana e biofertilizantes para reduzir custos e manter safras até 2027

Fechamento do Estreito de Ormuz e salto nos preços da ureia levam agricultores a improvisar com fertilizantes alternativos antes da próxima safra
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  • A guerra no Oriente Médio elevou os preços da ureia, levando agricultores a usar esterco animal, urina humana e biofertilizantes para reduzir custos.
  • Fazendeiro James Mills, em Yorkshire, passou a buscar esterco de galinha para manter o cultivo de trigo, cevada e aveia.
  • O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz elevou o preço da ureia a máximos de vários anos, pressionando o fornecimento global.
  • Startups e empresas ampliam soluções baseadas em resíduos e microrganismos, como urina coletada e produtos biológicos, com aumento de vendas e redução de custos em alguns casos.
  • A comunidade internacional estima impactos até 2027; o World Bank aponta alta prevista nos preços de fertilizantes e maior adoção de fertilizantes biológicos pelas fazendas.

Guerra no Oriente Médio pressiona o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, elevando os custos para produtores rurais. Com a ureia em alta, agricultores buscam alternativas para manter safras de trigo, cevada e aveia. A restrição de gás natural para produção de fertilizantes contribui para a alta de preços.

No Reino Unido e em outros países, agricultores passaram a usar esterco animal, urina humana e biofertilizantes para reduzir gastos. James Mills, de Yorkshire, relata que o esterco de galinha passou a ter demanda entre compradores locais, como forma de substituir insumos convencionais.

A crise está chegando a várias regiões. O Estreito de Ormuz, fechado de fato, impulsionou a disparada da ureia, com impactos previstos até 2027 na produção agrícola global, segundo a ONU para Agricultura. O Banco Mundial aponta piora na acessibilidade a fertilizantes neste ano.

A adoção de soluções baseadas em resíduos cresce. Além do esterco, cascas de amêndoas moídas e produtos microbianos aparecem como alternativas para impulsionar o crescimento das plantas e reduzir dependência de químico. Empresas relatam aumento de interesse entre agricultores.

A Toopi Organics, da França, converte urina humana em alimento bacteriano para plantas. Desde fevereiro, as vendas aumentaram, com preços estáveis graças à oferta abundante. A urina é coletada em escolas e festivais, segundo a startup.

No Sudeste Asiático, a demanda por biofertilizantes e bioestimulantes cresce. Na Malásia, a Farm Fresh Bhd usa resíduos do gado para enriquecer a pastagem com minhocas, prática que já adota há anos, buscando reduzir custos com ureia.

A União Europeia avança com estratégia de fertilizantes de base biológica e incentivo ao uso de digeridos, resíduos do biogás. Empresas do setor observam maior interesse dos agricultores, ampliando opções de substituição aos químicos.

Startups e grandes players ampliam produção. Living Roots, na Tailândia, contrata pessoal para atender ao aumento da demanda; Holganix, nos EUA, relata crescimento acima de 100% neste ano. A Pivot Bio oferece preços mais baixos e programas de fixação de preço por três anos.

Os preços da ureia variam por região. Em Nova Orleans, chegaram a US$ 710 por tonelada no mês anterior, depois recuaram. A ureia egípcia subiu mais de 90% desde o início do conflito, alcançando US$ 940 a tonelada, segundo dados de mercato.

Entre os custos, o custo do esterco de galinha gira em torno de £10 por tonelada, mas transporte aumenta a despesa. Agricultores destacam que não é simples migrar para novas soluções; a adaptação envolve custos adicionais e eficiência variável.

Alguns produtores já testam modelos de parceria. A Pivot Bio oferece descontos significativos, com programa de preços por três anos, atraindo agricultores nos EUA e ganhando participação de mercado diante do aumento dos fertilizantes tradicionais.

A indústria admite que a transição não será imediata. A gênese de soluções biológicas traz desafios de consistência e desempenho, e a dependência histórica de fertilizantes sintéticos permanece. Analistas veem possível ganho gradual de participação por parte de biofertilizantes.

A discussão global continua: fertilizantes sintéticos mantêm alta importância para a produção de alimentos, mas governos e empresas buscam alternativas menos onerosas e mais sustentáveis. A viabilidade de substituição total ainda é incerta, segundo especialistas.

  • Movimentos de preço mostram que a mudança de uso pode reduzir custos para alguns produtores, mas não elimina a necessidade de químicos em grande escala. A continuidade da demanda depende da adaptação tecnológica e de cadeias de suprimento estáveis.

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