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Crise industrial leva montadoras europeias a ceder fábricas a grupos chineses

Crise na indústria europeia leva montadoras a vender fábricas a grupos chineses, fortalecendo a presença chinesa e elevando risco estratégico para o mercado europeu

Unidades de produção de automóveis na fabrica de Goiana (PE) | Crédito: Stellantis/Divulgação
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  • Montadoras europeias, como Stellantis, Nissan e Ford, estudam vender ou transferir fábricas para grupos chineses ( Leapmotor, Dongfeng, Geely, Chery) em países como Espanha, França, Alemanha e Itália.
  • Stellantis planeja usar plataforma da Leapmotor no próximo veículo elétrico da Opel e transferir a unidade de Madri para a subsidiária espanhola da joint venture com Leapmotor; também avalia vender fábricas na França, Alemanha e Itália para a Dongfeng.
  • A fabricante chinesa Chery já comprou uma antiga fábrica da Nissan em Barcelona, e a Nissan pode vender Sunderland, no Reino Unido, a Chery ou à Dongfeng.
  • A Ford negocia transferência de uma linha de montagem em Valência para a Geely, com potencial de produzir híbridos e elétricos; a Volkswagen também avalia ampliar parcerias com chineses.
  • Especialistas lembram que, apesar de evitar fechamentos, a prática fortalece concorrentes chineses na Europa, aumentando o desafio estratégico para o continente.

Montadoras tradicionais da Europa negociam a venda ou transferência de fábricas para grupos chineses em países como Espanha, França, Alemanha e Itália, segundo a reportagem. A medida busca evitar fechamento frente à crise do setor, mas acende alerta sobre impacto estratégico no continente.

Analistas apontam que, se confirmados, os acordos transfeririam unidades de produção para conglomerados chineses, fortalecendo a presença da China na indústria automotiva europeia e dificultando a reorganização de cadeias locais.

Entre as companhias envolvidas, a Stellantis está entre as que estudam esse caminho. A operadora de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën revelou que o próximo veículo elétrico da Opel usará plataforma da Leapmotor, e parte da produção poderá ocorrer na fábrica de Villaverde, em Madri.

Além disso, a Stellantis pretende transferir a propriedade da unidade para a subsidiária espanhola da joint venture com a Leapmotor e avalia vender plantas na França, Alemanha e Itália para a chinesa Dongfeng, aliada histórica do grupo.

Stellantis negocia com Leapmotor e Dongfeng

Outras montadoras já realizaram operações semelhantes. A chinesa Chery comprou em 2023 a antiga fábrica da Nissan em Barcelona, com capacidade para até 200 mil veículos anuais. A Nissan também é cotada para vender a planta de Sunderland, no Reino Unido, a Chery ou a Dongfeng.

A Ford estaria em tratativas para transferir uma linha de montagem em Valência, Espanha, para a Geely, com foco em veículos híbridos, híbridos plug-in e elétricos baseados na plataforma Global Intelligent New Energy Architecture.

A Volkswagen também avalia ampliar parcerias com empresas chinesas, incluindo a possibilidade de importar ou fabricar modelos desenvolvidos na China para o mercado europeu, ampliando a integração com esse polo.

Especialista do setor, Bernard Jullien afirma que vender fábricas para grupos chineses pode evitar fechamentos, mas cria risco estratégico ao favorecer concorrentes no coração da Europa, acelerando a presença de chineses no mercado local.

E no Brasil?

No Brasil, o avanço das montadoras chinesas também vem se intensificando. A Dongfeng já confirmou entrada no país e pode utilizar estruturas da Nissan no complexo de Resende (RJ), ampliando a ocupação de plantas já consolidadas.

O movimento demonstra estratégia global das fabricantes chinesas de ampliar presença internacional não apenas por exportações, mas pela ocupação de instalações industriais já instaladas.

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