- Juliana Montagner, sócia da Ximango, criou a marca Mon Jullí em 2017, produzindo chás a partir do broto da erva-mate.
- Na Itália, ela descobriu que o chimarrão não era consumido, o que a fez repensar a exportação e buscar outras oportunidades.
- A marca tem patente em 20 países e já foi premiada em concurso de sommeliers em Paris, mirando o broto como alternativa ao chá verde.
- A produção é baseada em comércio justo com agricultores da região de Ilópolis, pagando seis vezes mais por quilo de broto.
- Mon Jullí participa da Loja Tendência, espaço montado pelo Sebrae RS na Feira Brasileira do Varejo, para ampliar a presença no varejo e no mercado internacional.
Juliana Montagner trocou a tradição da erva-mate da família pela aposta em um chá que não depende da cuia para chegar ao consumidor. A pesquisadora gaúcha, ligada à Ximango, criou a Mon Jullí, marca de chás feitos com o broto da erva-mate. A virada começou após ela descobrir, na Itália, que italianos não bebiam chimarrão.
Ao retornar, em 2017, decidiu apostar em uma bebida baseada no broto da erva-mate, aplicando o método ortodoxo de produção de chá. Hoje, a Mon Jullí tem patente em 20 países e já recebeu premiações em concursos de sommeliers em Paris. A marca está em exposição na Loja Tendência durante a Feira Brasileira do Varejo, em Porto Alegre.
A história da estudante que abre espaço para o chá brasileiro passa pela origem familiar. Os bisavós vieram da região do Vêneto, chegaram ao Rio Grande do Sul e estabeleceram atividades ligadas à erva-mate em Ilópolis. Juliana acompanhou a trajetória da Ximango antes de partir para estudar de forma global.
A virada na erva-mate
Em 2011, Juliana foi a Xangai para acompanhar a maior feira de chá do mundo e conhecer o processo de produção do chá verde. O que parecia ser uma oportunidade de exportação para chimarrão mudou ao ver como os brotos jovens são usados na China. A percepção de escala e eficiência impulsionou a nova direção.
Ao retornar, ela contratou um consultor indiano para validar a ideia de transformar o broto em chá verde e chá preto. A primeira colheita com a máquina da era moderna da erva-mate resultou em chás puros, mas a aceitação no Brasil foi baixa. A solução veio com blends que incluíram flores e frutas, ganhando apelo tropical.
A Mon Jullí ganhou reconhecimento internacional, com patentes em 20 países, incluindo Brasil e Estados Unidos. Estudos do Senai indicam que o broto da erva-mate concentra antioxidantes equivalentes aos da Camellia sinensis, fortalecendo a defesa de posicionar o produto como alternativa ao chá verde.
A prática do comércio justo e a rede de produtores
A produção depende de agricultores familiares da região de Ilópolis. Juliana remunera seis vezes mais o quilo de broto do que o preço da erva-mate para chimarrão, adotando o modelo de comércio justo. A empresa reconhece margens menores, mas mantém o compromisso com a remuneração justa e já trabalha para obter certificação do Fair Trade.
A estrutura da Mon Jullí é enxuta: dois funcionários, com o objetivo de manter a marca como uma operação ágil. O varejo ocorre por meio de lojas independentes de produtos naturais em Porto Alegre e por meio de comércio eletrônico, com negociações diretas para cada ponto de venda.
A vitrine da loja do futuro
A Loja Tendência, criada pelo Sebrae RS, reúne 23 marcas gaúchas selecionadas para ilustrar o varejo do futuro, com uso de tecnologia, personalização e sensorialidade. O espaço mostra sensores, mapas de calor e aromas, além de uma inteligência artificial que acompanha o visitante na jornada de compra.
Segundo Daniela Santos Machado, coordenadora de projetos do Sebrae RS, o objetivo é traduzir conceitos abstratos em ferramentas práticas para o empresário. Pesquisas indicam que lojas físicas já são vistas como ambientes de relacionamento, não apenas de compra, e que a personalização pode aumentar a receita.
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