- Três milhões de pessoas na Amazônia Legal vivem em sistemas isolados movidos a combustíveis fósseis ou com acesso irregular à energia.
- Mais de oitenta e quatro mil estabelecimentos produtivos da região ainda não têm energia elétrica.
- Em dois mil e vinte, os estados da Amazônia responderam por vinte cinco vírgula sete por cento da geração nacional, mas consumiram apenas oito vírgula quatro por cento da energia, revelando exclusão energética.
- Novos riscos incluem a expansão da exploração de petróleo na Margem Equatorial e a concentração de minerais críticos (terras raras) na região, com parte das reservas em terras indígenas e unidades de conservação; há cinco mil e quarenta e seis pedidos de exploração na Agência Nacional de Mineração.
- O estudo aponta oportunidades de modelar a transição com soluções renováveis descentralizadas, participação social e governança territorial para ampliar o acesso à energia e fortalecer a sociobioeconomia regional.
A exclusão energética na Amazônia envolve cerca de 3 milhões de pessoas que vivem em sistemas isolados ou dependem de combustíveis fósseis caros e poluentes. O dado consta no caderno Energia: as Amazônias na Agenda de Transição, fruto de parceria entre a Uma Concertação pela Amazônia e o IEMA, divulgado nesta sexta-feira.
Embora a Amazônia Legal contribua para a geração de energia do Brasil, mais de 84 mil estabelecimentos produtivos da região ainda não têm energia elétrica. Pesquisadores afirmam que há falhas institucionais nas políticas públicas de energia que prejudicam o desenvolvimento territorial.
A transição energética na região revela um paradoxo: em 2020, estados amazônicos responderam por 25,7% da geração renovável nacional, mas consumiram apenas 8,4% do total. Enquanto isso, quase um milhão de pessoas ficaram sem energia e 3 milhões dependeram de fontes fósseis.
Novo extrativismo
A publicação aponta riscos da expansão de petróleo na Margem Equatorial, com impactos em recifes, manguezais e áreas de vida marinha, além de ampliar conflitos territoriais. Os minerais críticos, como terras raras, concentram 30% das reservas nacionais na Amazônia, com 4,4% em terras indígenas e 14,9% em unidades de conservação.
Existem 5.046 pedidos de exploração mineral na Agência Nacional de Mineração, dos quais 1.205 atingem terras indígenas e 1.207 se sobrepõem a 107 unidades de conservação. O estudo alerta para um novo extrativismo sem garantias de proteção ambiental e participação das comunidades.
Apesar dos riscos, o caderno aponta caminhos para um modelo energético mais inclusivo, com soluções renováveis descentralizadas, como solar, bioenergia e armazenamento. Integrar energia a fortalecimentos sociobioeconômicos pode ampliar atividades locais e resiliência climática.
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