- A privatização da Copasa ganhou impulso com uma oferta secundária que pode movimentar cerca de R$ 10 bilhões, envolvendo aproximadamente 190 milhões de ações, com preço final definido em 2 de junho.
- Após a operação, o Estado de Minas Gerais passa de 50% para 5% de participação, mantendo uma golden share; investidor de referência ficaria com 30%, o market/fluxo livre com cerca de 64,6% e a tranche de mercado em torno de 15%.
- A Sabesp ficou de fora da disputa, citando custo/risco da operação; a participação da Aegea pode ocorrer, mas depende de documentação e propostas acima do mínimo.
- O processo ficou marcado por uma delação envolvendo executivos da Aegea e a Copasa, com o ex-presidente da estatal, Hamilton Amadeo, como principal delator; ele renunciou ao cargo de chairman.
- A Copasa atende aproximadamente 12 milhões de pessoas em Minas Gerais, com cobertura de água acima de 99% e de esgoto em 80,4%; no último balanço, receita líquida de 7,47 bilhões de reais e Ebitda de 2,93 bilhões de reais, com dívida líquida de 7,1 bilhões.
O governo de Minas Gerais abriu a fase decisiva da privatização da Copasa com uma oferta secundária de ações que pode movimentar até cerca de R$ 10 bilhões. A operação envolve a venda de aproximadamente 190 milhões de ações ordinárias, com preço final definido em 2 de junho. O dinheiro vai para o Estado, atual controlador, não para a Copasa.
A estrutura prevê venda de 30% do capital a um investidor de referência, equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, mais 15% para o mercado, em torno de R$ 3 bilhões. Uma fatia adicional de 5%, chamada hot issue, pode somar cerca de R$ 1 bilhão. Após o processo, a participação do Estado cairá de 50% para 5%, mantendo a golden share.
O investidor de referência ficaria com 30%, enquanto o mercado ficaria com aproximadamente 64,6% das ações em circulação, conforme o roadshow apresentado. A Sabesp ficou de fora da disputa, segundo o Brazil Journal, por considerar a operação cara e os riscos contratuais e políticos em Minas Gerais.
A saída da Sabesp reduz a competição pelo investidor âncora e pode limitar o ágio sobre o preço das ações. A Aegea, com capitalização de Itaúsa e GIC, ainda está no radar para uma oferta, mas a ausência de um concorrente relevante tende a impactar a dinâmica da privatização.
Em documentos internos, a Copasa apresenta a privatização como catalisadora de governança e ganhos de eficiência, com atuação em cerca de 12 milhões de pessoas, cobrindo água em 636 municípios e esgoto em 309. A empresa destaca avanços regulatórios, com cobertura de água superior a 99% e esgoto em 80,4%.
O contexto regulatório mineiro prevê a possibilidade de extensão de concessões até 2073, por meio de blocos regionais voluntários. Belo Horizonte é apresentada como estudo de caso, com contratos até 2073 e metas de universalização de 99% para água e esgoto até 2033.
Números financeiros da Copasa mostram receita líquida de R$ 7,47 bilhões no 1º trimestre de 2026, EBITDA de R$ 2,93 bilhões e lucro de R$ 1,35 bilhão. A dívida líquida subiu, de R$ 3,8 bilhões em 2023 para R$ 7,1 bilhões no 1º trimestre de 2026, elevando a relação dívida/Ebitda para 2,4.
Entre as travas de governança, o estatuto define voto limitad0 a 45% para o investidor de referência, com poison pill em duas etapas e golden share estadual. O Estado também terá veto sobre mudanças relevantes na empresa. O cronograma prevê anúncio do investidor até 27 de maio, preço em 2 de junho e início de negociação em 5 de junho.
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