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Shein adquire marca de roupas com foco em sustentabilidade nos EUA

Shein compra a Everlane, mantendo a marca independente, mas a operação aumenta questionamentos sobre sustentabilidade e lucratividade

Funcionária arruma roupas em loja da Everlane, em San Francisco (EUA)
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  • A Shein comprou a Everlane, marca norte‑americana conhecida pela sustentabilidade, adquirindo a fatia que era da L Catterton.
  • O valor da venda não foi divulgado oficialmente; fontes apontam US$ 100 milhões.
  • A Everlane continuará como marca independente, e o CEO Alfred Chang permanece no cargo.
  • A operação envolve a transferência de dívidas de cerca de US$ 90 milhões, visando oferecer estabilidade e ampliar o alcance da marca.
  • As primeiras reações foram negativas entre consumidores e analistas, que questionam o impacto na imagem de sustentabilidade da Everlane.

A varejista norte-americana Everlane foi adquirida pela Shein, conforme anúncio feito nesta sexta-feira (22). A participação da L Catterton, private equity ligada ao conglomerado LVMH, deixou de ser majoritária na Everlane. A venda envolve a fatia pertencente à L Catterton, intermediada ao longo do processo.

O valor da operação não foi divulgado pela Everlane. Fontes próximas ao acordo indicaram ao site Puck News que o preço ficaria em torno de US$ 100 milhões. A empresa mantinha a meta de chegar a US$ 1 bilhão em vendas anuais de itens como camisas, calças e camisetas.

Alfred Chang, CEO da Everlane, informou que a marca continuará independente e manterá seus compromissos com a sustentabilidade. O memorando interno, visto pelo The New York Times, aponta que a aquisição visa ampliar o alcance global da Everlane e acelerar seus planos.

Chang também confirmou que continuará no cargo, conforme comunicado enviado aos funcionários. A Shein e a L Catterton não comentaram oficialmente o acordo após pedidos de nota. A notícia inicial sobre a aprovação do negócio gerou críticas entre parte dos consumidores.

A transação envolve ainda a transferência de cerca de US$ 90 milhões em dívidas da Everlane, citada em reportagens anteriores. O memorando interno destaca que o acordo oferece estabilidade e recursos para ampliar o impacto da marca.

Historicamente, a Everlane ficou conhecida pela transparência radical e por vender diretamente ao consumidor, o que reduzia a dependência de varejistas. Fundada em 2011 por Michael Preysman, a marca prometia informações sobre fabricação e cadeia de suprimentos aos clientes.

O modelo disruptivo ajudou a atrair investimentos e consolidar a reputação de sustentabilidade da Everlane, especialmente entre mulheres millennials. Contudo, a empresa enfrentou dificuldades de lucratividade e de manter o ritmo de crescimento no varejo de vestuário.

Durante a pandemia, a Everlane avaliou downsizing e enfrentou questionamentos sobre sindicalização. Em 2023, a empresa ampliou cortes de funcionários para melhorar margens, segundo relatos da imprensa.

A aquisição pode oferecer à Shein acesso a novos públicos e serviços de qualidade percebida, diante de críticas sobre ética e condições de produção. Analistas ressaltam que a reputação da Everlane pode sofrer com a associação à marca ultrarrápida.

Segundo o analista Neil Saunders, o mercado entendia que a Everlane já enfrentava dificuldades e que a venda para a Shein, embora surpreendente, não era impensável. Ele prevê impactos imediatos na percepção de consumidores da marca.

Para a Everlane, manter a confiança de sua base de clientes será crucial. Profissionais do setor ressaltam que a combinação de sustentabilidade e varejo ultrarrápido demanda ajustes estratégicos para manter credibilidade.

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