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Shoppings atraem mais visitantes, mas fim da taxa das blusinhas gera incerteza

Fluxo de visitantes em shoppings sobe 16% em abril, mas fim da taxa das blusinhas cria incerteza para varejo e Azzas

Barra Shopping, no Rio de Janeiro: ponto de atenção para a receita das operadoras de shoppings está nas categorias mais expostas à concorrência internacional.
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  • Fluxo de visitantes em shoppings subiu 16% em abril, ante o mesmo mês de 2025, atingindo o maior nível desde março de 2024, segundo o IPV da HiPartners e relatório do J.P. Morgan.
  • O movimento nas ruas comerciais avançou 11% no mesmo período; a região Sudeste registrou queda de 7% no fluxo anual.
  • O banco mantém recomendação de compra para as três maiores operadoras de shoppings, com alvos de R$ 40 para Allos, R$ 36 para Iguatemi e R$ 42 para Multiplan.
  • Riscos: revogação da taxa das blusinhas pode ampliar vantagem de plataformas internacionais; a crise envolvendo a Azzas gera incertezas sobre o futuro de inquilinos nos shoppings.
  • Fatores positivos: temporada de estreias de filmes pode sustentar o fluxo; no entanto, a indústria de calçados continua enfrentando desafios de produção e competição com importados.

O fluxo de visitantes em shoppings centers subiu 16% em abril frente a igual mês de 2025, atingindo o maior patamar desde março de 2024. Os dados são do IPV, da HiPartners, e aparecem em relatório do J.P. Morgan divulgado nesta sexta (22). Em contrapartida, o movimento nas ruas comerciais cresceu 11% no mesmo período.

Na região Sudeste, principal mercado para as três maiores operadoras listadas, houve queda de 7% no fluxo anual. O estudo mantém recomendações de compra para Allos, Iguatemi e Multiplan, com alvos de até R$ 42 para dezembro de 2026, refletindo potencial de alta de 35% a 40%.

Apesar do ambiente favorável ao fluxo, o varejo enfrenta incertezas a partir da revogação da chamada taxa das blusinhas. O tributo, de 20% mais ICMS, incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee, Temu, TikTok Shop e AliExpress, até maio.

A incerteza também envolve a Azzas, uma das maiores inquilinas dos shoppings do país, com 25 marcas presentes. A empresa passa por disputa societária entre os sócios e pode enfrentar cisão, o que pode impactar contratos de locação e operadores de centros comerciais.

Por outro lado, o setor pode se beneficiar da temporada de lançamentos de filmes nas salas de cinema, especialmente com grandes franquias. Estreias previstas para Toy Story 5, Minions 3, Moana 3 e Star Wars: The Mandalorian e Grogu podem sustentar o fluxo nos shoppings durante as férias escolares.

A tributação sobre varejo internacional é pano de fundo para o desempenho das operadores. Sem a taxa, a diferença de custo entre varejo brasileiro e plataformas estrangeiras pode chegar a 16,5%, dependendo da composição tributária, segundo a AGR. A discussão envolve assimetria tributária, não apenas competitividade operacional.

Um levantamento do BTG Pactual mostrou que a Shein, em comparação com varejistas nacionais, teve preços mais baixos em várias categorias. Em pesquisa com oito produtos, a plataforma também avança na área física com pop-up em Curitiba, previsto para receber cerca de 15 mil visitantes.

A crise da Azzas, que atua como hub de várias marcas, aumenta a cautela entre analistas e administradoras de shoppings. Especialistas apontam que, mesmo com possível cisão, a renegociação de contratos de aluguel pode não ocorrer de forma ampla, mantendo as condições atuais para as demais marcas.

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