- Marcas conhecidas, como Estrela, Tok&Stok, Bombril e Coteminas, recorreram à recuperação judicial, citando custo de capital elevado, crédito restrito e consumo fraco.
- A Estrela aponta aumento do custo de capital e mudança no comportamento do consumidor como causas da crise.
- A Tok&Stok pediu recuperação judicial neste ano, com dívidas superiores a R$ 1,1 bilhão, sob pressão de juros altos, endividamento e concorrência.
- A Coteminas teve plano de recuperação judicial homologado para reestruturar passivo próximo de R$ 2 bilhões, mantendo marcas como MMartan, Artex, Santista e Casa Moysés.
- Dados da Serasa Experian mostram recorde de 2025, com 977 pedidos de recuperação judicial e 2.466 CNPJs envolvidos, em meio a crédito mais caro e desaceleração do consumo.
Nos últimos meses, marcas conhecidas entraram em recuperação judicial, reflexo de juros elevados, crédito mais restrito e consumo mais fraco. Estrela, Tok&Stok, Bombril e Coteminas abriram processos para reorganizar seus passivos, sinalizando um ciclo de dificuldades para setores diferentes.
A Estrela, ícone dos brinquedos, pediu recuperação judicial citando aumento do custo de capital, crédito mais restrito e mudanças no comportamento do consumidor, que migra para entretenimento digital. A medida ocorre em meio a um cenário de inflação controlada, mas juros elevados.
A Tok&Stok, dona de lojas de móveis e decoração, acionou a recuperação judicial neste ano. A empresa enfrentou endividamento crescente após a pandemia, com juros altos, consumo mais fraco e competição acirrada de rivais digitais, pressionando margens e vendas.
A Bombril, fabricante de produtos de limpeza, também recorreu à recuperação judicial. Dificuldades financeiras se somam a disputas tributárias bilionárias, exigindo reestruturação de capital para manter operações.
A Coteminas, controlada por Josué Gomes, teve o plano de recuperação judicial homologado para reestruturar um passivo próximo de 2 bilhões. A empresa detém marcas como MMartan, Artex, Santista e Casa Moysés e atua em indústria têxtil.
Contexto macro da crise
Dados da Serasa Experian mostram aumento expressivo de pedidos de recuperação judicial em 2025, com 977 casos, alta de 5,5% frente 2024 e recorde desde 2016. Ao todo, 2.466 CNPJs estiveram envolvidos, alta de 13%.
O cenário acompanha crédito mais caro, bancos mais seletivos e menor oferta de crédito para consumidores. A combinação de juros elevados e desaceleração do consumo amplia as dificuldades de manutenção de margens.
Especialistas apontam que a recuperação judicial costuma representar a formalização de dificuldades já existentes, não a origem única do problema. Ela funciona como ambiente de renegociação com credores e pode não sinalizar fim da crise.
De acordo com fontes técnicas, o verdadeiro teste de cada caso é a capacidade de gerar caixa a partir do plano, cumprir compromissos e reconquistar a confiança de fornecedores e credores. A continuidade operacional também depende da força das marcas.
O pano de fundo envolve gestão interna deficitária, mudanças tecnológicas, competição acirrada e custos de produção elevados. Situação comum entre empresas com fragilidades estruturais em um ambiente de crédito restrito.
A recuperação, nesses casos, exige transformação real para manter operação enquanto o passivo é reorganizado. Plantar confiança entre clientes, bancos e fornecedores é tão crucial quanto renegociar dívidas.
A evolução dessas empresas, com planos já em andamento, será um indicador importante de como o varejo e a indústria brasileira caminham em um cenário de juros altos e demanda contenção.
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