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Bilionários indianos compram empresas no exterior enquanto o crescimento interno

Compras no exterior de empresas indianas somam mais de US$ 18 bilhões em 2025, com a Sun Pharma-Organon ampliando a ofensiva global

India's Sun Pharmaceuticals paid $11.75bn to buy New York-listed Organon & Co
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  • A Sun Pharmaceuticals concordou em pagar $11,75 bilhões para adquirir a Organon & Co., empresa de saúde feminina e biossimilares listada em Nova York, em um dos maiores desembolsos internacionais já feitos por uma empresa indiana.
  • O acordo marca a maior aquisição no exterior por uma empresa indiana em quase duas décadas e sucede diversos negócios globais anunciados pelos grupos indianas nos últimos meses.
  • Outras transações recentes incluem a Tata Motors comprando a Iveco por $4,4 bilhões, a Coforge adquirindo a Encora por $2,35 bilhões e o Grupo Bajaj adquirindo 23% da Allianz SE, em 2025.
  • Dados da Grant Thornton mostram que 162 empresas indianas investiram mais de $18 bilhões em aquisições no exterior em 2025, alta de 34% em relação ao ano anterior; o valor pode superar $15 bilhões apenas no primeiro semestre.
  • Analistas apontam motivações estratégicas e operacionais, como acesso a mercados, marcas e cadeias de suprimento, além de diversificação, com preocupação sobre o ambiente de negócios doméstico e o fluxo de capitais.

A Sun Pharmaceutical confirmou, no final de abril, a aquisição da Organon & Co., empresa de saúde femininas e biossimilares sediada em Nova York, por 11,75 bilhões de dólares. O acordo representa a maior compra externa de uma empresa indiana em quase duas décadas e ocorreu em um momento de fusões e aquisições internacionais por companhias do país.

A operação faz parte de um movimento recente, no qual grupos como Tata Motors, Coforge e o Bajaj Group também fecharam negócios relevantes no exterior. Empresas indianas já anunciaram compras expressivas no exterior nos últimos meses, ampliando a presença global do setor privado do país.

Dados de uma consultoria indicam que 162 companhias indianas investiram mais de 18 bilhões de dólares em aquisições outbound em 2025, alta de 34% ante o ano anterior. Na avaliação de especialistas, esseDinheiro está saindo do país em busca de ativos ocidentais.

Segundo Sumeet Abrol, parceiro da Grant Thornton, é possível superar 15 bilhões de dólares em valor de negócios apenas no primeiro semestre deste ano. A leitura é de que o ciclo reflete maior liquidez e motivação estratégica, além de diversificação de ativos.

Para alguns analistas, a nova onda de compras internacionais lembra a expansão promovida pelo Grupo Tata há cerca de 20 anos, com ativos como Jaguar Land Rover e Corus. Contudo, o cenário atual envolve motivações diferentes, com foco em ganhos estratégicos e operacionais.

O ambiente econômico doméstico também mudou desde aquele período. Na virada do milênio, o país vivia um bull market; hoje enfrenta saída de investidores, menor fluxo de FDI e queda na atividade privada, mesmo com cortes de impostos e subsídios.

Vasudev Anantha Nageswaran, assessor econômico-chefe, destacou que os lucros corporativos cresceram, mas a formação de capital privado ainda é fraca. Analistas veem no exterior uma forma de acessar mercados, marcas e redes de distribuição.

Especialistas ressaltam que a expansão externa também visa a proteção de cadeias de suprimentos diante de gargalos e tarifas comerciais. Além disso, há maior disponibilidade de financiamento global e balanços mais fortes no mercado interno.

Mesmo com o impulso, trajetórias de aquisições no exterior não são isentas de risco. O histórico de projetos da Tata Steel envolvendo a Corus, por exemplo, foi considerado problemático por décadas. Transações como a Sun Pharma envolvem pagamento em dinheiro, elevando riscos.

A tendência, segundo observadores, pode se intensificar com acordos de livre comércio entre Índia e Reino Unido, Europa e outros parceiros. A expectativa é de maior deluges de negócios offshore à medida que firmas indianas buscam bases no Ocidente.

Outro fator apontado é a geração de renda entre herdeiros de empresas indo estudar e viver no exterior. Isso reforça a lógica de manter ativos em moeda estrangeira, conforme explicam especialistas, especialmente diante da volatilidade do rublo e de outras moedas.

Por fim, analistas ressaltam cautela seletiva para grandes investimentos domésticos, diante de demanda fraca e investimentos privados aquém do desejado. Mesmo com o cenário externo favorável, o salto para o exterior não elimina os desafios internos.

Contexto e motivações

  • Experts apontam que as fusões recentes refletem busca por cadeias de suprimento mais seguras e acesso a tecnologia e redes globais.
  • A tendência pode exigir ajustes regulatórios e estratégias de financing mais conservadoras, dada a volatilidade macroeconômica.

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